Itamar Ben-Gvir, ministro israelense da Segurança Nacional, festejou seus 50 anos no início do mês. No bolo de aniversário havia o desenho de uma forca. Era o símbolo de uma das bandeiras de sua gestão: a pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por terrorismo. A cena foi criticada no país e no exterior. "Tivemos outras figuras radicais de direita antes, mas nunca em posições tão proeminentes", diz Guy Ben-Porat, professor de ciência política na Universidade Ben-Gurion do Negev. "Ele normalizou discursos antes tidos como inaceitáveis."
Outro episódio polêmico ocorreu na segunda (11), após a União Europeia impor sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia. Ben-Gvir reagiu chamando o bloco europeu de antissemita e prometendo seguir construindo assentamentos naquele território.
Descendente de judeus iraquianos, Ben-Gvir nasceu em Mevaseret Zion, a oeste de Jerusalém. Radicalizado durante o levante palestino conhecido como Primeira Intifada (1987-1993), passou a militar em grupos ultranacionalistas.
Identificava-se, em especial, com o chamado kahanismo. Esse movimento defendia, entre outras coisas, a expulsão violenta dos árabes de Israel. O grupo foi banido em Israel e chegou a ser considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos.
Durante grande parte de sua carreira, Ben-Gvir foi relegado às margens pela classe política. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu costumava esperar que Ben-Gvir descesse do palco antes de subir, recusando-se a ser visto ao lado dele. Nos últimos anos, no entanto, ele ganhou cada vez mais relevância.
Fortaleceu-se com um discurso pró-segurança e pró-armas, encontrando aliados no país. Nas eleições de 2022, seu partido, a Força Judaica, obteve seis assentos em um total de 120 do Parlamento, o Knesset. Não era suficiente para governar, mas o sistema fragmentado de Israel acabou por ajudá-lo.
Aqueles seis assentos, afinal, fariam com que Netanyahu conseguisse formar uma maioria para governar. Por isso, convidou Ben-Gvir para sua coalizão —e, em troca, deu-lhe a pasta da Segurança Nacional. "Foi Netanyahu, no final das contas, quem o legitimou", afirma Ben-Porat.
O próprio partido de Netanyahu, o Likud, moveu-se mais à direita nos últimos tempos, afirma o professor. Um indício disso é o número de membros da sigla que agora aparecem ao lado de Ben-Gvir.
Uma vez no governo, Ben-Gvir endureceu as medidas contra o crime e o terrorismo. "Promove as pessoas com base na lealdade delas, não no mérito", afirma o especialista. O ministro facilitou ainda a aquisição de armas e a formação de milícias em assentamentos judaicos na Cisjordânia.