A União Europeia anunciou que vai aplicar sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia, uma medida que acaba com impasse sobre o assunto no bloco.
Ações do tipo eram bloqueadas havia meses pelo governo do húngaro Viktor Orbán, aliado do governo de Binyamin Netanyahu e derrotado em eleições por Péter Magyar, que tomou posse no sábado (9) com promessas de reaproximação de seu país com a Europa.
"Era hora de superarmos o impasse e agirmos. Extremismos e violência têm consequência", afirmou a estoniana Kaja Kallas, chefe da diplomacia do bloco europeu, em publicação no X na qual também disse que a medida atinge figuras proeminentes do grupo terrorista Hamas. Não há, por enquanto, detalhes sobre os indíviduos alvo das sanções.
O governo israelense reagiu ao anúncio com críticas duras à UE. "Enquanto Israel e os EUA estão 'fazendo o trabalho sujo da Europa' ao lutar pela civilização contra lunáticos jihadistas no Irã e em outros lugares, a União Europeia expõe sua falência moral ao estabelecer uma falsa simetria entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas", publicou a conta do gabinete de Netanyahu no X.
A referência do governo foi à declaração do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, em junho do ano passado, que afirmou que o Estado judeu estava "fazendo o serviço sujo por todos nós" ao atacar o Irã, no que ficou conhecido como guerra dos 12 dias em Israel.
A mensagem de Tel Aviv carrega ainda um dos principais debates e polêmicas relativos à Cisjordânia: a ocupação do Estado de Israel do território palestino, assim reconhecido pela maioria da comunidade internacional.
"Políticos europeus são coagidos por seus eleitores radicais, mas sancionar judeus por viverem na Judeia e na Samaria é inaceitável. Judeia é de onde vêm os judeus, e Israel vai sempre proteger os direitos dos judeus de viverem no coração de nossa pátria ancestral", afirma a publicação.
Judeia e Samaria são os termos oficiais de divisão administrativa usados por Israel para se referir à Cisjordânia. Esse território palestino, assim delimitado pelo plano de partilha da área desenhado pela ONU em 1947, foi ocupado pela atual Jordânia até 1967, quando Israel toma controle do território durante a Guerra dos Seis Dias.
"A iniciativa dos assentamentos não será dissuadida. Continuaremos a construir, a plantar, a defender e a colonizar por toda a terra de Israel", afirmou o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, após o anúncio europeu, chamando o bloco de "união antissemita".