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Trump flexibiliza importação de carne bovina por 90 dias nos EUA

Medida pretende ampliar a oferta de carne usada na produção de carne moída e pressionar os preços; possível impacto sobre exportações brasileiras ainda depende das regras

Trump flexibiliza importação de carne bovina por 90 dias nos EUA
Donald Trump Crédito: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) uma flexibilização temporária das regras para a importação de carne bovina utilizada principalmente na produção de carne moída. A medida terá duração de 90 dias e tem como objetivo ampliar a oferta no mercado americano e contribuir para a redução dos preços.

Até o momento, porém, o governo americano não detalhou quais países poderão aproveitar a mudança nem informou como a nova regra será aplicada.

A possível alteração também desperta interesse no setor brasileiro, já que os Estados Unidos estão entre os principais destinos da carne bovina produzida no Brasil.

Brasil pode ser beneficiado pela nova regra

A eventual ampliação das importações americanas poderá melhorar as condições de acesso da carne brasileira ao mercado dos Estados Unidos, dependendo dos critérios definidos pelo governo de Trump.

Atualmente, o Brasil divide com outros países uma cota de importação para determinados volumes de carne bovina. Esse limite costuma ser atingido nas primeiras semanas do ano.

Depois que a cota é preenchida, a carne brasileira ainda pode ser exportada para os Estados Unidos, mas passa a estar sujeita a uma tarifa adicional de 26,4%.

Uma ampliação da cota que contemple o Brasil poderia, portanto, reduzir o impacto dessa cobrança sobre os exportadores brasileiros.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entretanto, informou que ainda não recebeu comunicação oficial do governo americano sobre os detalhes da medida.

Por isso, a entidade avalia que é necessário aguardar a regulamentação para calcular os possíveis efeitos sobre as exportações brasileiras.

Exportação de carne brasileira para os EUA cresce

Os Estados Unidos já representam um dos principais mercados consumidores da carne bovina brasileira.

Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para o mercado americano. O volume representa crescimento de 17,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita obtida com as vendas chegou a US$ 1,54 bilhão, uma alta de 33,1% na comparação anual, de acordo com dados da Abiec.

Os números mostram a relevância do mercado americano para a indústria brasileira e ajudam a explicar o interesse do setor nas mudanças anunciadas por Washington.

Cerca de 50 frigoríficos brasileiros estão habilitados

Atualmente, aproximadamente 50 plantas frigoríficas brasileiras estão autorizadas a exportar carne bovina para os Estados Unidos.

A ampliação temporária da oferta anunciada por Trump poderá abrir espaço adicional para fornecedores estrangeiros, mas o impacto sobre o Brasil dependerá principalmente dos critérios que serão estabelecidos pelo governo americano.

Além da definição dos países beneficiados, ainda será necessário saber quais produtos estarão incluídos na flexibilização e de que maneira os novos volumes serão distribuídos.

Medida busca conter preços da carne nos EUA

A decisão de Trump ocorre em meio à preocupação do governo americano com a oferta e os preços da carne bovina no mercado doméstico.

Ao facilitar temporariamente a entrada de carne importada, a estratégia busca aumentar a disponibilidade do produto utilizado na fabricação de carne moída e, consequentemente, reduzir a pressão sobre os preços pagos pelos consumidores.

Para o Brasil, a medida pode representar uma oportunidade de ampliar as vendas aos Estados Unidos, mas a confirmação desse benefício dependerá das regras que ainda serão divulgadas pela administração americana.