Presidentes de Chile e Colômbia condenam invasão americana na Venezuela
Em mensagem via X, Gustavo Petro afirmou que acolherá imigrantes da Venezuela
A invasão americana à Venezuela repercute no mundo. Após países como Rússia e Cuba condenarem o ataque, agora foi a vez de Chile e Colômbia se manifestarem contrariamente às ações de Donald Trump.
Em seu X (antigo Twitter), o presidente do Chile Gabriel Boric manifestou preocupação e afirmou que os conflitos devem ser resolvidos por meio da diplomacia, não por invasões.
"Como governante do Chile, expresso nossa preocupação e condenação às ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e apelos por uma solução pacífica para a grave crise que afeta o país. O Chile reafirma sua adesão aos princípios básicos do Direito Internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados. A crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio do multilateralismo, não por meio da violência ou da interferência estrangeira", disse Boric.
Horas mais cedo, quem manifestou preocupação foi Gustavo Petro, presidente da Colômbia, que já entrou em embates ideológicos contra Donald Trump algumas vezes, com direito ao mandatária dos EUA fazendo ameaças públicas na reta final de 2025.
Em sua conta do X, durante os ataques americanos a Caracas, Petro reafirmou o compromisso com a ONU.
"O Governo da República da Colômbia observa com profunda preocupação os relatos de explosões e atividades aéreas incomuns registradas nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, bem como a consequente escalada da tensão na região. A Colômbia reafirma seu compromisso inabalável com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular o respeito à soberania e integridade territorial dos Estados, a proibição do uso ou da ameaça de força e a solução pacífica de controvérsias internacionais. Nesse sentido, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil", disse.
Ele também afirmou que "o país adota uma posição orientada para a preservação da paz regional e faz um apelo urgente à desescalada, instando todas as partes envolvidas a absterem-se de ações que aprofundem o confronto e a priorizarem o diálogo e os canais diplomáticos".
Mas talvez a parte mais importante do comunicado tenha sido um aviso de que a Colômbia está aberta para receber os imigrantes venezuelanos após os ataques.
"Como medida preventiva, o Governo Nacional implementou medidas para proteger a população civil, preservar a estabilidade na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela e atender prontamente a quaisquer necessidades humanitárias ou migratórias potenciais, em coordenação com as autoridades locais e agências competentes. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia deve manter canais diplomáticos abertos com os governos envolvidos e promoverá, nos espaços multilaterais e regionais relevantes, iniciativas voltadas para a verificação objetiva dos fatos e a preservação da paz e da segurança regionais. A República da Colômbia reitera sua convicção de que a paz, o respeito ao direito internacional e a proteção da vida e da dignidade humana devem prevalecer sobre qualquer forma de confronto armado", afirmou Gustavo Petro.
A Colômbia, no momento, vive grande pressão internacional. Os últimos embates entre Trump e Petro tiveram direito ao presidente americano chamando o colombiano de "traficante", além de fazer ameaças ao estilo "você é o próximo".
Em 10 de dezembro de 2025, em coletiva de imprensa, Trump afirmou que "É melhor ele [Gustavo Petro] ficar esperto, ou será o próximo. Espero que ele esteja ouvindo. A Colômbia está produzindo um monte de drogas. Eles têm fábricas onde produzem cocaína".