O Hospital Ferreira Machado (HFM), referência em Emergência Vermelha para o Norte Fluminense, fechou o primeiro semestre de 2026 com indicadores alarmantes na área de trânsito. O principal fator de preocupação para as autoridades de saúde é o crescimento contínuo das colisões envolvendo motocicletas, que somaram 2.633 atendimentos no pronto-socorro da unidade entre janeiro e junho.
Os dados do HFM revelam uma escalada mensal ininterrupta no número de motociclistas acidentados que dão entrada na urgência, registrando uma alta superior a 53% do início ao fim do semestre.
A evolução dos atendimentos a motociclistas no primeiro semestre aponta para uma crise de segurança viária em Campos e região. Em janeiro, foram 335 atendimentos. Fevereiro, 373 atendimentos. Março, 444 atendimentos. Abril, 482 atendimentos. Maio, 484 atendimentos. E junho, 515 atendimentos.
Além dos casos com motos, que lideram com folga as estatísticas de trauma, a unidade registrou nos primeiros seis meses do ano outras 1.898 ocorrências de trânsito: ciclísticos (bicicletas) - 1.099; automobilísticos (carros) - 413; e atropelamentos - 386.
Embora o HFM não possua uma categoria específica para acidentes com bicicletas elétricas, o crescimento nas ruas também tem refletido no número de atendimentos de acidentes ciclísticos.
Para o médico ortopedista Fábio Macedo, diretor do pronto-socorro do HFM, o cenário exige uma transformação urgente no trânsito local.
"Independentemente das condições climáticas, feriados ou festas, o número de vítimas aumenta todos os meses desde janeiro, isso é perceptível nas enfermarias do hospital, que permanecem cheias. Esse cenário impacta diretamente a qualidade da assistência e reforça a necessidade de uma mudança de paradigma no trânsito de Campos, principalmente em relação aos acidentes envolvendo motocicletas", disse.
Condicionamento físico como aliado na reabilitação
Além da sobrecarga no sistema público de saúde, as colisões de trânsito costumam deixar sequelas graves, demandando internações longas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e cirurgias de alta complexidade.
O médico Aluísio Puglia ressalta que, embora ninguém preveja sofrer um trauma de grande porte, o estilo de vida e a saúde física prévia do paciente são determinantes para a sobrevivência e para a velocidade da recuperação.
"Pessoas fisicamente ativas costumam apresentar uma recuperação melhor após traumas e períodos de internação. Isso acontece porque possuem maior massa muscular, o que facilita desde o desmame da ventilação mecânica até a reabilitação para voltar a caminhar e realizar atividades básicas", detalha Puglia.
O especialista alerta ainda que o processo natural de envelhecimento acelera a perda de massa muscular (sarcopenia), tornando a recuperação de idosos acidentados ainda mais complexa. Diante disso, manter hábitos ativos funciona como uma "reserva de emergência" biológica para o corpo diante de eventuais traumas graves.
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