No feriado de Corpus Christi, as ruas do Centro de Saquarema ganham novas cores e significados com a confecção dos tradicionais tapetes de sal, uma manifestação de fé que atravessa gerações e faz parte da identidade cultural do município.
A Paróquia Nossa Senhora de Nazareth, com o apoio da Prefeitura, promove a celebração de Corpus Christi com a participação da comunidade. A confecção dos tradicionais tapetes de sal reúne fiéis e voluntários em um grande momento de fé, arte e solidariedade. Após a produção dos tapetes, a programação segue com missa campal e procissão pelas ruas do Centro da cidade.
A celebração tem cerca de 150 tradicionais tapetes de sal, e a programação inclui missa campal e procissão. Os tapetes ficam prontos e abertos para visitação a partir das 12h, no trecho que vai da Praça do Coração até a Capela São João Batista, passando pelas ruas Doutor Luiz Januário e Coronel Madureira.
A Missa Campal acontece às 16h, na Praça do Coração, abaixo da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazareth. Após a celebração, os fiéis seguem em procissão pelos tradicionais tapetes de sal até a Capela São João Batista, onde será realizada a bênção do Santíssimo Sacramento.
Além das atividades religiosas, os organizadores também promovem arrecadação de alimentos não perecíveis para famílias em situação de vulnerabilidade social. Mais informações podem ser obtidas junto à paróquia ou pelos canais oficiais da Prefeitura de Saquarema.
História
O historiador Caio Andrade conta que a tradição teve início na década de 1990 e se consolidou ao longo dos anos como uma das mais importantes expressões religiosas da cidade. Inspirada em costumes trazidos pelos colonizadores portugueses ao Brasil, a celebração de Corpus Christi é marcada pela confecção de tapetes que servem de caminho para a procissão do Santíssimo Sacramento. Os desenhos costumam retratar símbolos da fé cristã, passagens bíblicas e elementos ligados à Eucaristia.
Diferentemente de outras cidades brasileiras, onde são utilizados materiais como serragem, flores e areia colorida, os tapetes passaram a ser confeccionados com sal, matéria-prima abundante na região. O costume transformou-se em uma marca local e ajudou a diferenciar a celebração saquaremense de outras realizadas pelo país.
Com o passar dos anos, a tradição enfrentou desafios. De acordo com o historiador, pouco antes da pandemia de Covid-19 houve um enfraquecimento da prática original pela dificuldade em encontrar sal e os tapetes passaram a ser produzidos principalmente com TNT (tecido não tecido). Embora os desenhos continuassem presentes, parte da característica histórica da celebração acabou sendo deixada de lado.
Foi nesse contexto que surgiu um movimento para resgatar a tradição dos tapetes de sal. O esforço envolveu a conscientização sobre a importância cultural da celebração e o incentivo à participação popular. O resultado pôde ser visto nos anos seguintes. Aos poucos, os tapetes voltaram a ser confeccionados com sal colorido, devolvendo às ruas do Centro o aspecto que fez parte da memória afetiva de muitos moradores. Mais do que uma manifestação religiosa, a produção dos tapetes tornou-se um momento de encontro entre diferentes gerações.
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