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Procuradora de Macaé que fez postagens atacando petistas, nordestinos e mineiros é afastada do cargo; MP investiga o caso

Ela é alvo de processo disciplinar na Procuradoria e ficará fora do cargo por 30 dias, período inicial da investigação. Ela pode ser suspensa, demitida ou ter a aposentadoria cassada

Por Adriano Araújo

Vereadores de Macaé repudiaram a fala da procuradora do Município

A procuradora de Macaé, Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro, foi afastada por 30 dias do cargo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do município nesta quinta-feira (29), que também consta que ela se tornou alvo de um processo disciplinar. O inquérito foi aberto após a servidora fazer uma postagem nas redes sociais, na última terça (27), falando que não faria mais "política pública para petistas", e sugerindo que empresas não contratem "artistas, pobres nordestinos e mineiros". 

A decisão é assinada pelo procurador geral Rodrigo Rodrigues Sarmanho. Segundo a resolução, será investigada "possíveis infrações funcionais" pelo Conselho da Procuradoria e que Renata terá direito "ao contraditório e à ampla defesa". A depender do resultado do processo disciplinar, Renata pode ser suspensa, demitida ou ter a aposentadoria cassada.

A procuradora vez postagens contra petistas e com tom xenofóbico contra trabalhadores nordestinos e de Minas Gerais. "Petistas não vão trabalhar pra mim, não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente. Aconselho a todos os empresários, microempresários a não contratarem artistas, pobres nordestinos e mineiros", disse um trecho do texto colocado no Facebook. "Aliás, mineiros saem de Macaé (sic)! Já basta o Espírito Santo que vocês invadem feito tralha".

Com a repercussão do caso, internautas recuperaram outras publicações de Renata nas redes sociais. Em uma delas, na rede social X, em 2025, ela diz que se pudesse "metralhava" pessoas de esquerda. "Não tenho palavras para descrever estes nazistas de esquerda! Se eu pudesse metralhava a todos sem distinção! Estamos em guerra mesmo! Morte aos esquerdistas", escreveu. Também há mensagens de tom transfóbico.

Reprodução Redes Sociais - Postagem de procuradora de Macaé tem ataque a petistas e tom xenofóbico

Ministério Público também abriu investigação

Questionado pela reportagem, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Macaé do MPRJ instaurou, nesta quarta-feira (28), um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades relacionadas a uma publicação da procuradora municipal.

"Uma ouvidoria anônima encaminhada à Promotoria relatou que a publicação apresentou possíveis manifestações discriminatórias e ofensivas, com características xenofóbicas, misóginas e homofóbicas, além de suposta incitação à exclusão social e laboral de grupos vulneráveis", diz o MP.

A procuradora também é alvo de investigação da 123ª DP (Macaé), que ao saber do caso instaurou um inquérito para apurar os fatos. Segundo a Polícia Civil, diligências estão em andamento.

Em nota, a Prefeitura de Macaé afirmou que as declarações atribuídas à servidora não representam os valores nem a posição institucional do município. "Repudiamos veemente o teor das declarações ofensivas e discriminatórias".

Fala repudiada na Câmara de Vereadores de Macaé

A Câmara Municipal também repudiou as falas da servidora, nas sessões de terça e quarta-feira (27 e 28). A fala foi classificada de racista, misógina, fortemente preconceituosa e criminosa pelos vereadores.

"É uma postura preconceituosa, racista. Ninguém pode punir aqueles que votam diferente”, disse Vicente da Fox (SD). Leandra Lopes (PT) também foi uma das que criticou. "Sinto na pele, a violência de pessoas que acham que liberdade de expressão é falar o que querem". Aliás, a vereadora disse que recebeu ameaças da procuradora por mensagens e telefone depois da fala na Casa Legislativa.

Opositor de Lula, Edson Chiquini (Cidadania) também criticou a atitude da procuradora. "Sou empresário e votei contra Lula, mas me oponho a qualquer perseguição, política ou de outro tipo. O resultado das urnas precisa ser respeitado, do contrário, daqui a pouco estaremos numa guerra civil, matando uns aos outros".

A reportagem não conseguiu localizar a procuradora. O espaço está aberto à manifestação da investigada. Segundo informações, ela usou a sua rede social, fechada, para se desculpar pela postagem.

"Venho a público manifestar meu sincero arrependimento pelas declarações que fiz e que causaram indignação e feriram tantas pessoas". Renata fala ainda que seu discurso não condiz com a função pública que exerce, e que divergências políticas não justificam "o desrespeito, discriminação e humilhação de quem quer que seja".