Estado do Rio

Brasileiros no exterior citam polarização e disputa acirrada

Moradores de Estados Unidos, Portugal e França declaram seus votos

Brasileiros no exterior citam polarização e disputa acirrada
Quase 1 milhão de brasileiros com domicílio eleitoral no exterior podem votar Crédito: José Cruz/ Agência Brasil

Há menos de três dias para o segundo turno, o embate entre Lula e Flávio Bolsonaro não se reduz apenas ao território nacional. O Correio Sul Fluminense entrevistou quatro emigrantes para entender como eles enxergam as dinâmicas políticas e se a realidade dos países em que eles moram afetam suas opiniões.

Cleuza Ferreira mora nos Estados Unidos, maior colégio eleitoral do Brasil no exterior, desde 1988, declarou voto a Lula. Para ela, a preocupação em relação às propostas de Flávio Bolsonaro parte da relação política que o candidato pretende nutrir com o governo norte-americano. Como moradora, ela acredita que encarar os Estados Unidos como referência é fruto de uma "desinformação" de parte do eleitorado brasileiro, afirmando que o país enfrenta muitas dificuldades. Algumas das crises mencionadas por Cleuza no país de Trump envolvem moradia, alimentação e perseguição a imigrantes.

Manoel Alves acompanha a política brasileira de forma assídua, mesmo fora do país. Morando em Portugal, segundo maior colégio eleitoral do Brasil no exterior, ele diz que o eleitorado brasileiro atual está altamente polarizado, e que as discussões sobre política extrapolam análises técnicas sobre as qualidades de cada candidato. Em relação aos candidatos eleitos no primeiro turno, a reação de Manoel foi de insatisfação. Na sua visão, a futura composição do Congresso não apresenta compromisso com a manutenção da democracia, nem parece possuir a capacidade de priorizar os interesses do povo sobre suas próprias convicções.

Rosilda Batista, que mora em Lisboa há quatro anos, compartilha da opinião de Manoel, e acrescenta que enxerga positivamente a mobilização dos brasileiros nas ruas em protestos que buscam manter o caráter democrático do país. Mariana Simão, por sua vez, prefere não participar das votações por não acompanhar de perto as vivências brasileiras, sendo moradora de Portugal há oito anos.

Cida Simão, residente da França há dez anos, demonstrou apoio claro ao candidato Flávio Bolsonaro. A preocupação de Cida é que o futuro governo brasileiro apresente características semelhantes ao governo francês, presidido por Emmanuel Macron desde 2017.