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Jovem usa IA para transformar criatividade em oportunidade

Jovem usa IA para transformar criatividade em oportunidade
Husny Darwish com um grupo de alunos no Complexo da Maré Crédito: Divulgação

Aos 18 anos, Husny Darwish divide sua rotina entre os estudos em Nova York e uma relação de vários anos com o Brasil, onde vem desenvolvendo projetos que unem inteligência artificial, arte e educação. Em parceria com o AfroReggae, ele criou uma iniciativa que ensina crianças e jovens de comunidades do Rio de Janeiro a usar ferramentas de IA para desenvolver seus próprios videogames. O projeto começou com um pequeno grupo de alunos no Complexo da Maré e já chegou a mais de 400 jovens em diferentes comunidades.

A escolha dos games como ferramenta de aprendizado busca aproximar os participantes da tecnologia de uma maneira prática e criativa. Além de experimentar novas ferramentas e transformar ideias em projetos próprios, os jovens podem desenvolver habilidades em línguas estrangeiras e, no futuro, encontrar no universo dos games uma possibilidade de geração de renda. A iniciativa amplia o trabalho do AfroReggae, que desde 1993 utiliza arte, cultura e educação para criar oportunidades em comunidades brasileiras e hoje também mantém programas de formação em tecnologia e games, como o AfroGames.

O projeto ganha relevância em um cenário de desigualdade no acesso à tecnologia. Segundo dados reunidos pela iniciativa, a Maré tinha cerca de 139 mil moradores no censo comunitário realizado em 2013, entre eles mais de 34 mil crianças com menos de 15 anos. Relatórios locais também apontam dificuldades no acesso a recursos educacionais e interrupções na rotina escolar provocadas pela violência armada. Em 2024, apenas 32% das escolas da região tinham laboratórios de informática.

A atuação de Darwish não se limita à educação. Ele também vem apoiando artistas locais, inclusive com financiamento e estruturação de espaços para criação. Em um dos projetos, ajudou uma artista a viabilizar o sonho de ter seu próprio estúdio, participando da arrecadação de recursos e do desenvolvimento da identidade artística do espaço. A proposta, assim como o trabalho com os jovens, é ampliar o acesso a ferramentas e ambientes que permitam transformar criatividade em produção concreta.

O trabalho de Darwish foi reconhecido em 2025 com a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro por iniciativa do deputado estadual Alexandre Knoploch. A honraria é destinada a pessoas que tenham prestado relevantes serviços ao Estado do Rio de Janeiro, ao Brasil ou à humanidade.

Embora sua vida acadêmica esteja em Nova York, Darwish mantém uma relação contínua com o Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, suas visitas e iniciativas foram transformando o vínculo pessoal com o Brasil em projetos voltados à educação, à tecnologia e à criação artística, aproximando jovens e artistas de ferramentas que podem abrir novas possibilidades.

"O Brasil sempre teve um lugar especial na minha vida, e poder transformar esse vínculo em oportunidades concretas para jovens e artistas é algo muito significativo para mim. Quero que eles tenham acesso às ferramentas, ao conhecimento e aos espaços necessários para transformar suas próprias ideias em realidade."