O jornalista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos. Ele deixa a esposa e dois filhos. Mineiro de Além Paraíba, Zuenir construiu uma forte ligação com o Rio de Janeiro desde a infância, quando se mudou com a família, aos 11 anos, para Nova Friburgo, na Região Serrana. Zuenir teve uma juventude marcada pelo trabalho. Foi pintor, contínuo de banco, faxineiro e balconista. Estudou Letras Neolatinas na então Universidade do Brasil, atual UFRJ, e teve entre seus mestres nomes como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
Ingressou no jornalismo em 1956, como arquivista. Trabalhou em grandes veículos nacionais como Tribuna da Imprensa, Fatos & Fotos, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Zuenir fora também editor internacional do Correio da Manhã e chefe de reportagem de O Cruzeiro. Durante décadas, ficou marcado por suas colunas no jornal O Globo, onde contruiu uma forte identificação com os leitores.
Em 1989, Zuenir publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens "O Acre de Chico Mendes", resultado de uma investigação sobre o assassinato do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes.
O trabalho recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Anos depois, Zuenir voltou ao Acre e ampliou a investigação, que resultou no livro "Chico Mendes - Crime e Castigo", publicado em 2003.
Seguindo na literatura, outras obras marcantes de Zuenir foram "1968: O Ano Que Não Terminou" e "Cidade Partida", que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.
Em 2014, foi eleito para a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, no lugar de outro grande nome da literatura nacional: Ariano Suassuna. Ele foi recebido por sua antiga professora, Cleonice Berardinelli.
O Governo do Rio divulgou uma nota de pezar por sua morte, solidarizando-se com a família, amigos, colegas de profissão e admiradores de suas obras, neste momento de perda. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, publicou, em edição extra do Diário Oficial do Município de terça-feira (22), um decreto de luto oficial de três dias pela morte de Zuenir. A ABL ressaltou que Zuenir era um jornalista premiado e com senso de humor refinado.
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