Correio da Manhã
Greve Uerj

Greve da Uerj é suspensa. Aulas retornam no dia 13 de julho

Docentes aprovaram o fim da paralisação, mas seguem em estado de greve enquanto acompanham as negociações e a implementação dos acordos

Greve da Uerj é suspensa. Aulas retornam no dia 13 de julho
Professores da Uerj votam pela saída da greve Crédito: Guilherme Schneider / Asduerj

Após mais de três meses de greve, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp - UERJ) decidiram suspender a paralisação e aprovaram o retorno das atividades acadêmicas presenciais a partir do dia 13 de julho. A decisão foi aprovada em assembleia realizada nesta quarta-feira (1º), na Capela Ecumênica do campus Maracanã.

Durante o movimento grevista dos professores, não houve desconto pelos dias parados.

 

Aulas serão repostas

Segundo a Uerj, as aulas serão repostas, mas o calendário oficial ainda não foi divulgado.

“Os dias de aula serão repostos, como acontece em todas as greves. Inclusive, isso está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Temos de cumprir os 200 dias letivos por ano”, afirmou Gregory Magalhães, presidente da Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj).

 

“Estado de greve”

Embora as aulas sejam retomadas, a categoria permanecerá em “estado de greve”, ou seja, os docentes estão em mobilização e acompanhando as negociações com o governo, mas sem interromper o funcionamento da universidade. Desta forma, os professores sinalizam que podem suspender novamente as atividades caso os acordos com o Governo do Rio e reitoria não sejam cumpridos, além de demonstrar solidariedade aos técnicos-administrativos da universidade, que permanecem em greve após aderirem ao movimento em abril.

No caso dos técnicos-administrativos, uma das principais pautas é a revisão do Plano de Cargo, Carreiras e Salários (PCCS), que está pendente desde 2020, mas há também o retorno dos auxílios saúde e educação, suspensos desde fevereiro de 2024.

Os servidores técnicos-administrativos ainda farão uma assembleia para definir os rumos do movimento da categoria. Postura semelhante foi assumida pelos estudantes.

 

Adicional de Desenvolvimento Funcional

A decisão de suspensão da greve ocorreu depois que a Alerj aprovou o Projeto de Lei Complementar nº 59/2026, que institui o Adicional de Desenvolvimento Funcional (ADF) na última terça-feira (30). A lei entrou em vigor nesta quinta-feira (2), após publicação no Diário Oficial e é destinada aos servidores públicos civis e militares do Poder Executivo Estadual, incluindo os professores e técnicos da Uerj, além de promover progressão de salários com base em critérios, como desempenho profissional, qualificação e tempo de serviço.

O projeto garante adicional de 5% sobre a base de cálculo salarial a cada três anos de efetivo exercício, com 10% no primeiro período aquisitivo e limite máximo de 60%. O benefício será pago exclusivamente aos servidores que ingressaram após a LC 194/2021, que extinguiu os triênios, e pertencem a carreiras cujos ocupantes anteriormente faziam jus ao adicional por tempo de serviço.

A proposta inicial foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consun) da Uerj e encaminhada ao Governo, contando com apoio parlamentar e atendendo a uma das principais demandas das categorias em greve e da Reitoria.

O envio do projeto à Alerj ocorreu após reunião realizada, na última sexta-feira (26), na sede do TJRJ, entre o governador, a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, o deputado estadual Carlos Minc e o secretário de Planejamento e Gestão (Seplag), Rafael Abreu.

Após o encontro, Gulnar manifestou sua satisfação com a articulação e o encaminhamento do projeto. “Esse momento é muito importante. Foi uma luta, uma batalha legítima. Ganhamos muito, a Uerj, o estado e todos nós que acreditamos que educação e saúde são direitos universais da população. Fico muito feliz de conseguirmos mostrar o nosso trabalho e o quanto valorizamos os servidores docentes e técnicos. Nossa Universidade é fundamental”, afirmou.

 

Principais conquistas

Além do Adicional de Desenvolvimento Funcional (ADF), os docentes conquistaram suas principais reivindicações, como o pagamento das duas parcelas restantes da Lei estadual 9.436/2021, a majoração do auxílio-alimentação para R$ 1.500, a garantia de investimentos na infraestrutura da Universidade pelo Propag e a incidência do triênio na Dedicação Exclusiva (DE).

O pagamento das duas parcelas restantes da lei estadual que autorizou o pagamento da recomposição salarial – acumulada no período de 2017 a 2021 – foi anunciado pelo Governo do Rio em maio.

Em relação ao auxílio-alimentação, os servidores passaram a receber R$1.500 integralmente na folha. Antes, o benefício era pago separado: R$600 como auxílio-alimentação e R$500 de vale-alimentação, por meio de cartão. O valor foi pago em folha suplementar de maio e depositado em junho.

O Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), assinado no dia 22 de junho, permitirá investimentos em infraestrutura, ao ajudar na repactuação da dívida do Estado com a União — hoje, de R$210,6 bilhões. Com a assinatura, a dívida pode cair para R$168,5 bilhões, segundo o Governo do Estado, representando um certo alívio para as contas públicas.

Já a discussão sobre a incidência dos triênios foi baseada na Lei 8.267/2018, que determinou que a gratificação não iria incidir na dedicação exclusiva até o término da vigência do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), instituído em 2017. Porém, com a permissão do governo federal para que o Rio aderisse ao Propag, foi possível reverter o cálculo.

Lei entra em vigor

A Lei Complementar 230/26 entrou em vigor nesta quinta-feira (2) no Rio. O Adicional de Desenvolvimento Funcional (ADF) contempla servidores civis e militares concursados, e oferece bônus de 10% a cada três anos de serviço, limitado a 60%. Para receber, o profissional deve obter nota mínima de 60% em avaliações e fazer cursos de capacitação. O impacto estimado para 2026 é de R$ 25,4 milhões.

Nova deputada na Alerj

Fabiani Vasconcellos (Agir) assumiu nesta quinta-feira (02) como deputada estadual na Alerj. Primeira suplente do partido, ela ocupa a vaga de Júlio Rocha, que se licenciou por motivos de saúde. Bacharel em direito, Fabiani tem histórico na política como vereadora no município de Valença, cargo para o qual foi eleita em 2016 e reeleita em 2020.

Relatório de assédio

Também entra em vigor a Lei 11.250/26, que institui a elaboração de um relatório de transparência às empresas de transporte por aplicativo, com dados de violência contra mulheres durante as corridas e lista de ações de prevenção. As plataformas também devem exibir alertas. Para não violar a LGPD, Ricardo Couto vetou a publicação do relatório na internet.

Parque de energia solar

Niterói vai implantar um parque de energia solar no Morro do Boa Vista. Com 3.400 painéis e capacidade de 1,5 MW, a usina gerará 150 mil kWh por mês. O projeto de R$10 milhões, liderado pela Defesa Civil, integra o programa Encosta Verde e visa conter deslizamentos e queimadas na comunidade através de reflorestamento e drenagem.

Voos da Argentina

A Aerolíneas Argentinas confirmou que operará voos para o Aeroporto Internacional de Cabo Frio entre outubro de 2026 e abril de 2027. A rota de verão visa impulsionar o turismo internacional na Região dos Lagos, beneficiando também cidades vizinhas como Búzios e Arraial do Cabo. O anúncio ocorre após campanhas de promoção do destino na Argentina.

Jiu‑jitsu em Maricá

Maricá atende gratuitamente 144 alunos com aulas de jiu-jitsu a partir dos cinco anos de idade. A iniciativa faz parte dos projetos Maricá Esporte Presente e Maricá Mais Esporte, com polos nas arenas Flamengo e Itapeba. Além das técnicas da arte marcial, os treinos focam na formação cidadã, disciplina e coordenação motora.