A temporada de observação de baleias em Niterói foi oficialmente aberta, consolidando o município como um dos principais polos de turismo sustentável e conservação ambiental no Estado do Rio de Janeiro. Desenvolvida pela Prefeitura de Niterói em parceria com a Neltur (Niterói Empresa de Lazer e Turismo) e o Projeto Jubarte, a iniciativa integra a preservação dos ecossistemas marinhos ao desenvolvimento socioeconômico da região.
Após atrair mais de duas mil pessoas em 2025, a expectativa para este ano é de crescimento contínuo, impulsionando a rede hoteleira, a gastronomia e o setor de serviços locais.
O amadurecimento do setor é fruto de um planejamento estratégico iniciado entre 2022 e 2023. Nesse período, foram conduzidos estudos detalhados de viabilidade técnica e monitoramento biológico para estabelecer as melhores práticas de avistamento de cetáceos na costa fluminense. Esse ordenamento prévio garante que as expedições em alto-mar ocorram de forma consciente, minimizando os impactos ambientais sobre os animais e assegurando o respeito às normas de aproximação e segurança.
"Experiências de contato com a natureza têm um poder transformador. Assim, quando uma pessoa observa uma baleia, o impacto positivo na consciência ambiental aumenta", declarou André Bento, presidente da Neltur.
Para além do encantamento dos visitantes, a atividade fomenta o chamado turismo regenerativo, que prioriza a restauração ecológica e o engajamento comunitário na proteção das espécies marinhas.
A nível global, o turismo de observação de baleias atrai cerca de 20 milhões de participantes por ano e movimenta aproximadamente US$3 bilhões. Na América do Sul, o setor registra uma expansão estimada em 10% anuais. Em Niterói, essa demanda crescente gerou investimentos significativos na capacitação profissional. Operadores de turismo, biólogos e mestres náuticos passam por treinamentos rigorosos para alinhar o serviço de bordo às exigências de proteção ambiental, garantindo maior segurança jurídica e operacional às agências locais.
O município assume a liderança nacional ao estruturar o segmento sob a ótica da economia do mar sustentável, servindo de modelo para outras cidades litorâneas do Brasil que ainda exploram o turismo de forma convencional.
"O turismo organizado transforma a conservação em oportunidades de desenvolvimento sustentável", destacou Thiago Ferrari, presidente do Instituto O Canal. O sucesso do projeto desmistifica a ideia de que o crescimento econômico e a proteção da biodiversidade são excludentes, desenhando um futuro onde ambos coexistem em harmonia.
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