Correio da Manhã
Estado do Rio

Livro retrata história de Beatriz e Antônio Rezende

Beatriz: Uma Existência de Mulher confere verossimilhança à narrativa, impactando o leitor ao alinhar o desejo da autora ao sentimento universal daqueles que enfrentam perdas repentinas

Livro retrata história de Beatriz e Antônio Rezende
Capa livro Beatriz – Uma existência de mulher Crédito: Divulgação

A Livraria Travessa Niterói, localizada na Rua Dr. Tavares de Macedo, 240, Icaraí, realiza nesta sexta-feira (8), a partir das 19h, o lançamento do livro Beatriz - Uma existência de mulher, de Catarina Setubal de Rezende, primogênita de Beatriz e Antônio Rezende, grande, e reconhecido, professor de filosofia de Niterói, que ficou viúvo com cinco filhos após a morte repentina de Beatriz, sua mulher, aos 45 anos. A história do livro se passa em boa parte na cidade de Niterói, e ela cita alguns lugares, como a Rua Fagundes Varela, Praia de Camboinhas, colégio Centro Educacional de Niterói, dentre outros. 

A autora recria a história da mãe, nascida em São Paulo, a partir das mais de 140 cartas trocadas com o pai, o Rezende, na década de 1950. O livro é envolvente, repleto de emoção e com roteiros que os personagens percorreram entre SP-RJ-Niterói, além do contexto histórico.

Sobre o livro

Recriar a mãe que partiu aos 45 anos, deixando cinco filhos crianças e adolescentes. No romance de bioficção Beatriz - Uma existência de mulher (Editora Máquina de Livros), a primogênita Catarina Setubal de Rezende se debruçou sobre mais de 140 cartas, dezenas de fotos e documentos de época para reconstruir a vida da mãe, que ela perdeu quando tinha apenas 17 anos. Com um enredo envolvente, Catarina acompanha os passos de Beatriz em paralelo a fatos históricos do Brasil nos anos 50 e 60.

Formada em letras pelo Instituto Superior de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae, e frequentando o curso inovador de sociologia na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, Beatriz foi uma jovem engajada no movimento da Juventude Universitária Católica (JUC), mas desejava muito mais, queria liberdade para desbravar as diferenças do país.

Na orelha do livro, Catarina reflete: “Beatriz hoje olharia para o Brasil e veria a continuidade de seus antigos dilemas. Denunciaria a desigualdade como a ferida aberta que nunca cicatrizou. Falaria das mulheres assassinadas diariamente, lembrando que a violência de gênero e o prolongamento daquela autoridade patriarcal que enfrentou ainda jovem, na sala da Rua Piauí, em São Paulo. Criticaria o racismo estrutural que condena tantos a miséria, o mesmo racismo que intuía nos anos 50, quando sonhava pesquisar as favelas e os sertões esquecidos.”

Mas o amor foi fator determinante neste enredo. Entre a vontade de se livrar do autoritarismo do pai e a busca por um país mais justo, Beatriz conhece na sua São Paulo o professor de filosofia Antônio Rezende, mineiro que morava no Rio de Janeiro. Do início do romance ao casamento, estão as cartas trocadas pelo casal, que ganhou vida e contexto em Beatriz – Uma existência de mulher, que acompanham ao longo de 148 páginas as escolhas, renúncias e sonhos de uma mulher a frente do seu tempo.

Em condução emocionante, a segunda parte do livro mostra as dores da filha mais velha do casal. Catarina, diante de muitas obrigações e responsabilidades com a casa e os irmãos, escreve cartas para a mãe, com a certeza que está sendo ouvida. Ainda existe um toque de mistério, quando a família descobre uma última carta de Beatriz, escrita pouco antes de sua morte para a irmã Yolanda, que vivia em um convento