Correio da Manhã
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Endrick é o novo embaixador UNICEF no Brasil

Promessa do Real Madrid e da Seleção Brasileira usará sua voz e influência pelas crianças do Brasil

Endrick
é o novo embaixador
UNICEF
no Brasil
Endrick se tornará voz ativa pelos direitos das crianças no Brasil, em uma ação que busca reduzir as desigualdades sociais Crédito: Jonathan Guimarães/ UNICEF

Em 1969, o Rei Pelé deixou um recado ao mundo diretamente do gramado do Maracanã, após marcar seu milésimo gol, contra o Vasco da Gama, em que pedia para que as pessoas olhassem com cuidado para as crianças e os necessitados.

"Pelo amor de Deus, olha o Natal das crianças, olha Natal das pessoas pobres, dos velhinhos cegos. Tem tantas instituições de caridade por aí. Pelo amor de Deus, vamos pensar nessas pessoas. Não vamos pensar só em festa. Ouça o que eu estou falando. É um apelo, pelo amor de Deus. Muito obrigado", disse Pelé.

No momento em que o mundo voltava os olhos para o Rei do Futebol, Pelé usou sua influência para pedir ajuda a quem mais precisava e para o futuro do Brasil. Por anos, a ação foi criticada por membros da imprensa, que chamaram o camisa 10 de "demagogo". No entanto, conforme os anos passaram, a ideia de esportistas usarem sua influência para chamar atenção a causas importantes virou mais que tendência.

Ainda assim, não são todos os craques que aproveitam sua fama para virarem vozes ativas na sociedade. Agora, décadas depois da fala histórica de Pelé, uma promessa brasileira entra de vez na campanha para ajudar as crianças no Brasil.

O jogador de futebol Endrick, da Seleção Brasileira e do Real Madrid, foi nomeado nesta quarta-feira (22) o embaixador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil.

Com isso, o centroavante de 19 anos passa a integrar o grupo de personalidades que usam sua voz e influência para promover e defender os direitos da infância e da adolescência.

No Brasil, também são embaixadores nomes como a atriz Maísa, o humorista Renato Aragão, a cantora Daniela Mercury, os atores Lázaro Ramos e Bruno Gagliasso, e a personagem Mônica.

Em material divulgado pelo Unicef nesta quarta, o atleta afirma que o convite é mais que uma honra, é uma "responsabilidade".

"É uma responsabilidade muito grande. Eu sei que milhões de crianças sonham todos os dias com um futuro melhor, assim como eu também sonhei. Quero usar minha voz para mostrar que elas podem acreditar em si mesmas, lutar pelos seus objetivos e nunca desistir. Nenhuma criança pode ficar para trás. Estou muito feliz de fazer parte dessa missão", disse Endrick.

O Unicef conta com embaixadores e embaixadoras em todo o mundo desde 1954. Eles são artistas, atletas e outras personalidades que oferecem seu talento e reconhecimento para promover e defender os direitos de meninos e meninas.

"O trabalho de embaixadoras e embaixadores do UNICEF é de vital importância para que a população se mobilize em defesa da infância e da adolescência. Endrick é um jovem exemplo, que inspira milhões de crianças e adolescentes, e tem um grande potencial para levar as mensagens sobre os direitos de meninas e meninos para todo o Brasil", afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.

Segundo o fundo da Organização das Nações Unidas (ONU), embaixadores são escolhidos não só pela fama que possuem, mas, principalmente, pela credibilidade que têm perante o público e pela disposição para trabalhar pela infância e adolescência, mesmo tendo uma agenda profissional repleta de compromissos.

Inspiração

Endrick construiu uma trajetória meteórica nas categorias de base no Brasil até o futebol europeu, consolidando-se como um dos maiores talentos de sua geração antes mesmo de completar 20 anos. Contratado pelo Real Madrid em 2024, o atacante acumulou atuações de destaque e confirmou o potencial que o transformou em uma das principais promessas do futebol mundial.

No Real Madrid, tornou-se o jogador estrangeiro mais jovem a marcar em La Liga e o mais jovem da história do clube a balançar as redes na Liga dos Campeões, além de ser o primeiro atleta do Século 21 a marcar em suas estreias nas duas competições.

Pela Seleção Brasileira, entrou para a história ao se tornar o jogador mais jovem a marcar um gol em Wembley por uma seleção principal e passou a integrar uma lista seleta de jovens que igualaram feitos de Pelé e Coutinho com a camisa do Brasil.

De acordo com o Unicef, mais do que os números, Endrick simboliza a renovação do futebol brasileiro no cenário internacional.

"Mais do que os números, Endrick simboliza a renovação do futebol brasileiro no cenário internacional. Sua combinação de talento, maturidade e capacidade de quebrar recordes em diferentes países fez com que chegasse à seleção brasileira como um dos principais expoentes da nova geração, reforçando sua projeção como um atleta capaz de influenciar o presente e o futuro do futebol mundial", diz a nota de anúncio do UNICEF.

Se Pelé foi criticado nos anos 60, a ação de Endrick, hoje, deve ser louvada. Aceitar ser voz ativa pelos direitos das crianças é uma ação muito honrosa de alguém que promete dar muitas alegrias à camisa Canarinha no futuro.