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Seleção Brasileira e Correio da Manhã: uma parceria campeã

Icônico uniforme verde e amarelo foi escolhido em concurso do jornal há mais de 70 anos

Seleção Brasileira e Correio da Manhã: uma parceria campeã
Tradicional camisa Canarinho nasceu nas páginas do Correio da Manhã no renascimento da Seleção Crédito: Reprodução/ FIFA

Por Pedro Sobreiro

Toda vez que a Seleção Brasileira entra em campo com a camisa verde e amarela, o Correio da Manhã se faz presente. Isso porque a gloriosa história da camisa Canarinho começou nas páginas do jornal mais influente do Rio na década de 1950.

No início dos anos 1950, após o trauma do 'Maracanazo', em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai em pleno Maracanã, os torcedores começaram a questionar as cores do uniforme. Para o povo, a combinação de branco e azul estava marcada eternamente como sinônimo de derrota e vergonha para o futebol nacional, além de ser considerada "inexpressiva" de identidade nacional.

Esse evento traumático deu origem ao termo 'complexo de vira-latas" e causou uma revolução no futebol mundial, pois levou o pequeno Edson Arantes do Nascimento a prometer ao pai, Seu Dondinho, que conquistaria uma Copa do Mundo para cessar as lágrimas do pai. Ali nascia o mito de Pelé.

Com o estigma da camisa branca, começou a rondar o país a ideia de criar um novo uniforme para a Seleção.

Com a decisão de aposentar o uniforme branco com calções azuis, o Correio da Manhã propôs à Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) a realização de um concurso para que o povo pudesse escolher um uniforme que fizesse com que eles se sentissem representados enquanto brasileiros. A CBD aceitou o projeto e o concurso foi lançado na edição de 23 de setembro de 1953 do Correio da Manhã.

Para avaliar o vencedor, foi montado um júri composto por um representante da Sociedade Brasileira de Belas Artes, dois representantes da imprensa, sendo um deles do Correio da Manhã, e três representantes da CBD, incluindo o presidente da entidade, Rivadávia Corrêa Meyer. A principal regra para os modelos era ostentar as cores da bandeira nacional.

Dessa forma, em 17 de dezembro de 1953, o modelo desenhado pelo jornalista Aldyr Garcia Schlee (1934 - 2018) bateu mais de 200 concorrentes e foi eleito vencedor. Por ter feito o design campeão, o gaúcho de apenas 18 anos recebeu como prêmio Cr$ 4.000.00 (algo equivalente a R$ 20 mil) e ganhou um estágio no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, onde evoluiu como jornalista, tendo contato com os melhores profissionais da época.

desenhados por Aldyr Schlee

"Foi uma parceria histórica entre o Correio da Manhã e a CBF, que resultou na escolha de uma camisa emblemática e reconhecida em todo o planeta e que marca a trajetória da seleção mais vitoriosa do futebol mundial", afirmou a CBF à reportagem.

A estreia do novo uniforme da Seleção Brasileira, que logo foi apelidado de 'Canarinho', aconteceu no dia 28 de fevereiro de 1954, em uma partida válida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo daquele ano. O jogo aconteceu em Santiago, já que o adversário era o Chile.

E se a história de que a camisa branca dava azar assombrava os torcedores, quis o destino que a Camisa Canarinho já estreasse com vitória. Com atuação de gala do atacante Baltazar, a Seleção Brasileira bateu os chilenos por 2x0, com dois gols do 'Cabecinha de Ouro'.

Daí em diante, o Brasil enfileirou cinco títulos de Copa do Mundo, sendo quatro deles conquistados com a icônica camisa verde e amarela. Ao longo desses anos, craques imortais como Pelé, Garrincha, Jairzinho, Ronaldo, Romário, Roberto Dinamite, Ronaldinho Gaúcho, Zico, Sócrates, Vavá, Tostão e muitos outros encantaram o planeta com a beleza e irreverência de seu futebol.

O modelo 'Canarinho' virou sinônimo de Brasil após a conquista da Copa do Mundo de 1970. Com a consagração de Pelé e do Tricampeonato Mundial da Seleção, ficou impossível olhar para a camisa amarela e não se lembrar do país do futebol.

Por falar nisso, a camisa de 1970 foi eleita pelo jornal britânico 'The Times' como a mais bela e icônica já feita na história do futebol.

Por ser o principal símbolo do Brasil pelo mundo e por compor a história mais gloriosa do futebol mundial, o Correio da Manhã celebra com muito orgulho poder fazer parte de um capítulo tão belo e marcante do futebol brasileiro, enquanto segue com a cobertura esportiva da Seleção Brasileira em busca do hexa.