Nesta quarta-feira (12), um eclipse solar total foi visto no hemisfério norte do planeta e rendeu algumas das imagens mais impressionantes de 2026.
Durante o eclipse solar total que atravessou a Espanha, o fotógrafo brasileiro Marcelo Maragni registrou o piloto espanhol Edgar Canet, da Red Bull KTM Factory Racing, em imagens que combinam esporte e astronomia.
O fenômeno foi visível em diferentes regiões da Espanha no fim da tarde, próximo ao pôr do sol, e marcou um dos eventos astronômicos mais aguardados do ano.
Canet, de 21 anos, é uma das jovens promessas do Rally Raid, e aproveitou a oportunidade do fenômeno astronômico para fazer manobras com sua motocicleta. Atual campeão da Copa do Mundo de Rally2, o piloto espanhol subiu para a categoria RallyGP em 2026, competindo pela equipe de fábrica da KTM.
Ele fez de novo!
Esta não foi a primeira vez que Maragni transformou um fenômeno astronômico em cenário para um atleta. Em outubro de 2023, o fotógrafo registrou o surfista Ítalo Ferreira em Baía Formosa (RN) durante um eclipse solar anular. A imagem, que mostrava o atleta dentro do chamado "anel de fogo", ganhou grande repercussão na imprensa e nas redes sociais.
Agora, três anos depois, Maragni repetiu a fórmula. Desta vez na Espanha, com Canet e um eclipse solar total como protagonistas.
Eclipse chamou atenção
O fenômeno foi visível de partes da Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, oceano Atlântico, Espanha e de um pedacinho de Portugal. Em outros pontos do Hemisfério Norte, foi possível presenciar um eclipse solar parcial, incluindo partes dos Estados Unidos (do Alasca à Carolina do Norte), a maior parte do Canadá, grande parte da Europa e o noroeste da África. Para quem estava fora dessas regiões, restaram as transmissões online. A Nasa dedicou uma live ao evento em seu canal no YouTube, além de cobertura em redes sociais. A ESA (Agência Espacial Europeia) também realizou uma programação especial em seu canal no YouTube.
Primeiro fenômeno em nove anos
As últimas vezes que partes da Europa puderam acompanhar um eclipse solar total foram em 20 de março de 2015 -somente uma área da Noruega, o pequeno arquipélago de Svalbard - e em 11 em agosto de 1999. Em relação à Península Ibérica, a data é mais antiga ainda: 1912, e a totalidade do fenômeno durou somente um segundo, de acordo com a ESA.
Importância científica
A Agência Espacial Europeia aponta que, além da coleta de dados, eclipses solares são um bom momento para testar instrumentos científicos que podem vir a ser incorporados em missões espaciais.
O eclipse também pode ser importante para entender melhor o campo magnético solar, especialmente na região da coroa solar. A ESA diz que temos uma ideia de como esse campo é distribuído na superfície, mas não tanto na coroa.
Com o fenômeno, existe a possibilidade de uma melhor observação do Sol, dado que a claridade habitual dificulta a observação. Os dados, coletados por diversos observatórios na Terra, ajudam a atualizar e melhorar modelos sobre o campo magnético do Sol.
A ESA afirma também que diversos projetos de ciência cidadã coletaram informações sobre o evento, citando, por exemplo, medidas de temperaturas, canto de pássaros - uma pesquisa sobre o tema foi, inclusive, publicada no ano passado, em referência ao eclipse total que percorreu EUA, México e Canadá em 2024.
Além do eclipse solar total deste ano, mais dois fenômenos poderão ser vistos da Europa nos próximos dois anos. Em 2 de agosto de 2027, haverá outro eclipse solar total na Espanha. Para o ano seguinte, em 26 de janeiro, é esperado um eclipse anular na Espanha e Portugal - outras regiões europeias terão eclipses solares parciais.
E o Brasil?
Para o Brasil, ainda vai demorar. O próximo eclipse solar total visível do país será em 12 de agosto de 2045. A totalidade, nesse caso, será apreciada em partes do Nordeste e Norte, a exemplo das cidades de Recife, João Pessoa, São Luís e Belém.
Porém, bem mais perto, em 6 de fevereiro do ano que vem, os brasileiros poderão ver um eclipse solar anular. Na verdade, a visualização total do anel de fogo será possível a partir dos mares brasileiros. Mas quem estiver em terra, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Nordeste, conseguirá acompanhar um eclipse solar parcial, com mais de 70% do Sol encoberto. Em outras áreas do país, o percentual será menor.
E, mais próximo ainda, um eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil na noite de 27 e madrugada de 28 de agosto deste ano. Esse tipo de eclipse ocorre quando a Terra está entre o Sol e a Lua. Isso faz com que a luz solar não atinja a superfície lunar, criando um episódio conhecido como "Lua de sangue", devido aos tons alaranjados que pintam nosso satélite natural nessa ocasião.
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