Correio da Manhã
Copa do Mundo 2026

Quem consegue parar a Argentina na despedida de Lionel Messi?

Dona de viradas incríveis, Albiceleste demonstra garra fora do comum na Copa do Mundo 2026

Quem consegue parar a Argentina na despedida de Lionel Messi?
Liderados por Lionel Messi, argentinos querem fazer bonito na última Copa do Mundo do camisa 10 Crédito: Divulgação/ AFA

Quando a Copa do Mundo começou, a Argentina chegava com uma certa desconfiança, já que, para muitos, o time se resumia a tocar a bola para Lionel Messi e torcer para que Julian Álvarez resolvesse lá na frente. Porém, o que parte dos especialistas talvez não esperasse era o altíssimo nível do camisa 10 em sua última Copa.

Aos 39 anos, Messi mostra ao planeta sua melhor versão de Copas do Mundo. No dia 16 de junho, ele se tornou o primeiro ser humano da história a disputar seis edições do torneio. Mais do que isso, aquela partida contra a Argélia ficou marcada por uma atuação lendária do camisa 10 da Argentina, que marcou os três gols da vitória por 3 a 0 sobre a seleção africana.

Aquele já era um sinal de que Messi não vinha para brincadeira. Ainda mais em um chaveamento tão fácil como o que a Argentina pegou. O jogo seguinte foi contra a Áustria. Vitória albiceleste por 2 a 0. Novamente todos os gols marcados por Messi. Fechando a fase de grupos, Leo foi poupado contra a Jordânia. Porém, ele acabou entrando no segundo tempo e marcou o último gol na vitória por 3 a 1.

Mata-mata dos 'jogos de 3'

Nas fases eliminatórias, o caminho da Argentina, que parecia fácil, virou uma sequência de partidas emocionantes e extenuantes para o elenco sul-americano. Na rodada de 16 avos de final, Messi e companhia teriam de enfrentar a seleção de Cabo Verde do goleiro sensação dessa Copa, Vozinha.

Quem esperava vida fácil se surpreendeu. Disputado em Miami, 'casa' de Messi nos EUA, o jogo começou com gol do camisa 10 aos 30 do primeiro tempo. Porém, Cabo Verde não desistiu e seguiu atacando. Na volta para o segundo tempo, o país africano chegou ao empate com Deroy Duarte e seguiu pressionando.

Do outro lado, porém, a Argentina também não fazia jogo fácil. E Vozinha fez valer todo o 'hype' que recebeu nessa Copa com defesas incríveis. Até que, nos acréscimos, Lisandro Martínez marcou dentro da área e fez Argentina 2, Cabo Verde 1. Com o jogo praticamente resolvido, os argentinos deram uma relaxada.

Cabo Verde, no entanto, aproveitou os minutos finais e aumentou seu volume de jogo até chegar a um golaço de Sidny Cabral, que acertou um chute de raríssima felicidade de fora da área. 2 a 2. Com o placar empatado, o jogo foi para a prorrogação.

O que poderia ser um golpe duro para o psicológico sul-americano acabou virando 'combustível'. No segundo tempo da prorrogação, Messi cobrou escanteio na cabeça de Romero, que cabeceou contra o gol e acertou a mão de Diney Borges antes de fazer Argentina 3 x 2 Cabo Verde. O gol foi dado contra pela FIFA, mas classificou os argentinos de qualquer forma.

Na oitavas, outro 3 x 2, agora contra o Egito. Em partida marcada por um domínio quase total de Mohamed Salah e seus companheiros, os egípcios fizeram um jogo defensivo muito bem encaixado, apostando em saídas rápidas de contra-ataque. O que deu certo, ainda mais com uma Argentina cansada da última prorrogação.

O Egito marcou 2 a 0, em atuação mágica de Salah e Yasser Ibrahim, que foram letais do meio para frente. O jogo poderia ter sido 3 a 0 para o Egito, não fosse o golaço de Ziko anulado por uma falta discutível no início da jogada.

Com o jogo praticamente resolvido, a Argentina precisou de apenas 12 minutos de pura genialidade de Lionel Messi para carimbar a vaga para as quartas de final.

Ao 34 do segundo tempo, Messi, que já havia perdido um pênalti no início do jogo, apostou novamente na jogada que deu a vitória sobre Cabo Verde. Lançou na cabeça de Romero, que não perdoou. Egito 2, Argentina 1.

Quatro minutos depois, Messi tentou lançar para a área novamente, só que o time argentino, afobado, não conseguiu converter em gol. Na bate-rebate, a bola sobrou para o próprio Messi, que não perdoou o goleiro. Egito 2 x 2 Argentina.

Quando a prorrogação parecia inevitável, foi a vez de Lautaro Martínez cruzar para a área. Nos acréscimos do segundo tempo, o ponta achou Enzo Fernández, que havia feito péssima partida, sozinho na área. Gol da virada. Argentina 3 x 2 Egito e vaga carimbada nas quartas.

O final foi emocionante a ponto de Messi desabar em lágrimas no gramado quando ouviu o apito final. A imagem rodou o mundo e fortaleceu a imagem do camisa 10 na Argentina.

Nas quartas, em jogo duro, a Argentina saiu na frente contra a Suíça. Mas os europeus começaram a envolver os sul-americanos e chegaram ao empate com um golaço de Ndoye. Poucos minutos depois, porém, Embolo simulou uma falta no meio de campo. Como o árbitro deu cartão amarelo para Leandro Paredes, entrou em campo o novo protocolo do VAR, que recomendou a revisão do cartão para o árbitro. Vendo no vídeo, não teve como manter a falta a favor da Suíça. Para complicar mais a situação, Embolo foi punido com o cartão amarelo por simulação. O atacante, que já tinha amarelo, foi expulso de forma infantil e acabou com o melhor momento de sua seleção no jogo.

A partir daí, a Suíça entrou no modo "ferrolho", abrindo mão de atacar para implementar um esquema quase invencível de defesa. O jogo foi para a prorrogação com as duas equipes extenuadas. Ainda assim, os suíços mantiveram o jogo duro.

Até que, na reta final do segundo tempo da prorrogação, o palmeirense Flaco López fez grande jogada e passou para Julián Álvarez acertar o ângulo do gol suíço. Argentina 2 x 1 Suíça. A partir daí os europeus desmontaram. Não havia mais motivo para manter a defesa, mas o time também não tinha mais perna para chegar ao ataque com perigo. Ainda deu tempo para Lautaro Martínez deixar o dele. Argentina 3 x 1 Suíça e vaga na semifinal carimbada.

40 anos depois

A Argentina vai enfrentar a Inglaterra na semifinal. 40 anos depois da Copa do Mundo do México, em 1986, em jogo marcado pela 'Mano de Dios' de Diego Maradona contra o ingleses, as duas nações vão se enfrentar novamente em uma partida eliminatória de um Mundial que teve partidas no México.

O clássico carrega forte rivalidade ideológica, já que Inglaterra e Argentina protagonizaram a Guerra das Malvinas, que terminou com a anexação do arquipélago argentino como território britânico, algo que causa polêmica na Argentina até os dias de hoje. Dessa vez, porém, espera-se que o jogo aconteça sem erros de arbitragem. A partida está marcada para esta quarta-feira (15) na Mercedes-Benz Arena, em Atlanta.

Polêmicas de arbitragem

A emocionante campanha argentina, porém, vem acumulando uma série de erros de arbitragem à favor. Os dois primeiros jogos da seleção, que tiveram cinco gols de Messi, não deveriam ter contado com a presença do camisa 10. Leo deu uma entrada duríssima no em Mandi na partida contra a Argélia. O pisão na fíbula era um lance clássico e explícito de cartão vermelho. O árbitro não viu e o VAR não chamou para a revisão. Em um mundo com arbitragem correta, Messi teria sido expulso e não teria feito os outros quatro gols em dois jogos, já que teria de cumprir suspensão automática.

A federação argelina protocolou reclamação oficial na FIFA contra o árbitro polonês, Szymon Marciniak, mas não deu em nada.

Contra o Egito, além da emoção de Messi, a partida ficou marcada por mais polêmicas de arbitragem, principalmente no último gol argentino. A jogada nasceu em uma falta não dada dentro da área do Egito. Foi um pênalti claro não dado pela equipe de arbitragem, que deveria ter anulado o gol argentino e assinalado a penalidade.

O lance foi reclamado pelo técnico egípcio, Hossam Hassan, que falou publicamente contra o árbitro francês François Letexier.

A Federação Egípcia protocolou uma reclamação oficial na FIFA contra a arbitragem: "O presidente da Federação exigiu uma investigação sobre toda a equipe de arbitragem, incluindo os árbitros de vídeo, pelos erros flagrantes e pela insistência em não revisar imagens que entendemos favorecer a seleção egípcia. Acreditamos que fomos privados de um gol legal e de um pênalti claro. Também exigimos a exclusão do árbitro e de toda a equipe da Copa do Mundo após a investigação dessas falhas e a comprovação do que consideramos uma discriminação contra a seleção egípcia", disse a federação em comunicado à imprensa.

O ex-árbitro Pierluigi Collina, atual chefe de arbitragem da FIFA, porém, rechaçou as acusações egípcias: "Discussões construtivas sobre decisões sempre farão parte do futebol, mas alegações infundadas não têm lugar no nosso esporte. Ninguém pode questionar a integridade dos árbitros da Copa do Mundo. Ninguém pode afirmar que a arbitragem da FIFA possa ser influenciada por alguém, nem mesmo pelo presidente Gianni Infantino", disse Collina em entrevista à FIFA.

Quem para a Argentina?

Nessa mistura de garra, de um Messi incansável e de polêmicas de arbitragem favoráveis à atual campeã do mundo, a grande pergunta que fica é: quem conseguirá parar essa Argentina?

Na última dança de Lionel Messi em Copas do Mundo, Harry Kane e Bellingham serão os primeiros a tentar. Se não conseguirem, Kylian Mbappé e Lamine Yamal despontam com candidatos, mas será necessário muito espírito para bater um grupo que só tem olhos para o Tetra.