Esporte

Perdedoras do transporte público têm dois dias para entrar com recurso

Empresas têm direito ao contraditório antes da assinatura dos contratos pelas vencedoras

Perdedoras do transporte público têm dois dias para entrar com recurso

Por Raquel Valli

As empresas que perderam a licitação para o transporte público de Campinas têm até o fim desta semana para apresentar recursos. O prazo de três dias úteis foi aberto ontem (19) com a publicação no Diário Oficial do Município. O documento divulgou o resultado da análise técnica, financeira, jurídica e cadastral das vencedoras do leilão, que foi realizado em março, na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Agora, as empresas que perderam têm direito de ampla defesa e ao contraditório, antes da assinatura dos contratos. O prazo cumpre uma exigência estipulada pelo artigo 165 da Lei Federal número 14.133 de 2021.

Caso alguma empresa perdedora se manifeste, a Comissão Especial de Contratação terá o prazo de mais três dias úteis para analisar os recursos. E, caso o colegiado pondere que as justificativas procedem, um novo resultado da fase de habilitação será publicado. Mas, caso a decisão atual seja mantida pela comissão, os recursos serão encaminhados diretamente ao secretário municipal de Transportes, Fernando de Caires Barbosa, que terá até dez dias úteis para decidir sobre o acolhimento ou a rejeição dos pedidos.

Assim que a fase de habilitação for encerrada de forma definitiva e os órgãos de controle derem o aval, o processo seguirá para homologação e posterior assinatura dos contratos de concessão.

Resultado

A Sancetur - Empresa Santa Cecília Turismo venceu o leilão para o Lote Sul, que contempla o atendimento das regiões Leste, Sul e Sudoeste. Já o Consórcio Grande Campinas venceu o Lote Norte, responsável pelas regiões Norte, Oeste e Noroeste.

TCU

O progresso do processo licitatório é investigado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCU-SP), que suspendeu a homologação da disputa, avaliada em R$ 11,8 bilhões, exigindo justificativas sobre supostas irregularidades no certame. São investigados vínculos entre as concorrentes, como uso comum de sedes, de telefones, de funcionários, além de participações em sociedades comuns. O objetivo da auditoria é constatar se existiu concorrência entre os consórcios ou se o vínculo institucional prejudicou a disputa comercial.

O prefeito Dário Saadi (Republicanos-SP) foi citado, e respondeu na terça-feira passada (12) com um relatório, reunindo 18 diligências feitas pela Prefeitura, que, segundo a Administração Municipal, contém oito verificações técnicas das empresas, quatro de readequação de planilha orçamentária e modelagem, e seis sobre a situação cadastral das companhias.

O TCE-SP recebeu também o resultado de duas investigações conduzidas pela B3 sobre a composição do capital social dos grupos vencedores do leilão.

Serviço e Bilhetagem

O novo contrato prevê concessão de 15 anos, prorrogável por mais cinco, e inclui a operação das linhas de ônibus, o serviço de transporte para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (PAI), além da gestão de serviços em terminais e nas estações do BRT e sistemas complementares de bilhetagem e monitoramento operacional.

O sistema de arrecadação e bilhetagem eletrônica será estruturado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com participação das empresas vencedoras e da Emdec (autarquia responsável pelo trânsito de Campinas). Segundo a Prefeitura, o modelo prevê governança compartilhada e fiscalização permanente, com apoio de auditoria independente.