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Brasil amplia ofensiva turística na China

Negociação de voos reforça estratégia com país asiático

Brasil amplia ofensiva turística na China
Bruno Reis e Gustavo Feliciano em missão internacional Crédito: Divulgação/MTur

A negociação entre o Ministério do Turismo e a companhia aérea China Eastern para abertura de novas rotas entre Brasil e China marca mais um capítulo da estratégia brasileira de aproximação com o maior mercado emissor de turistas do mundo. O movimento ocorre em paralelo à presença da Embratur na ITB China 2026 realizada nesta semana em Xangai. Mais do que uma ação isolada de promoção internacional, o avanço revela uma articulação que envolve conectividade aérea, redução da burocracia, promoção cultural e posicionamento estratégico do Brasil no mercado chinês.

A discussão sobre novas ligações aéreas ganhou força após o anúncio da isenção recíproca de vistos entre os dois países, medida vista pelo setor como um passo importante para reduzir barreiras e estimular o fluxo. Na avaliação de especialistas, porém, a abertura migratória sozinha não garante resultados sem uma combinação de fatores como oferta de voos, presença comercial contínua e adaptação de produtos ao perfil do turista chinês.

A própria Embratur reconhece o desafio ao ampliar sua presença na China com ações voltadas à promoção de destinos e ao fortalecimento da comercialização internacional do Brasil. A agência lançou campanhas digitais específicas para esse público, ampliou a atuação em plataformas locais e reforçou acordos com empresas ligadas ao setor de viagens. A estratégia inclui ainda capacitação de agentes de turismo, ações com influenciadores e aproximação com companhias aéreas.

Os números ajudam a explicar a ofensiva brasileira. Em 2025, o Brasil recebeu pouco mais de 103 mil chineses, crescimento superior a 50% em relação ao antigo pico registrado antes da pandemia. Para 2026, a projeção prevê novo aumento de cerca de 31% nas chegadas. Apesar da expansão, o volume ainda é pequeno diante do potencial do mercado chinês.

A aposta brasileira vai além do turismo de lazer. A estratégia envolve negócios, eventos, cultura e economia criativa, em um momento de fortalecimento das relações diplomáticas entre os países. Nesse contexto, a antiga Rota da Seda ganha uma versão contemporânea, agora impulsionada pelo turismo e intercâmbio cultural.

Durante a missão, o ministro Gustavo Feliciano se reuniu com a Associação das Agências de Viagem da China, que reúne mais de 3 mil agências e operadoras. "As medidas estão criando um ambiente favorável para atrair turistas chineses e posicionar o Brasil como destino competitivo", ponderou.