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Correio da Manhã
Turismo religioso

Dados ignoram força do Turismo Religioso

Levantamento aponta que o setor religioso brasileiro é subestimado e pode movimentar muito mais visitantes e economia do que indicam as estatísticas atuais.

Dados ignoram força do Turismo Religioso
Círio de Nazaré, em Belém, é um dos símbolos do segmento Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O turismo religioso no Brasil pode ser muito maior do que apontam os números oficiais historicamente divulgados pelo setor. A avaliação aparece em análise publicada pelo portal Vatican News, plataforma oficial de comunicação da Santa Sé, com base em levantamento do turismólogo e especialista em Turismo Religioso Sidnésio Moura.

Segundo o estudo, os dados utilizados pelo Ministério do Turismo desde 2015 já apresentavam distorções diante da realidade observada nos principais destinos religiosos do país. Naquele período, o governo federal estimava cerca de 17,7 milhões de pessoas ligadas ao segmento. No entanto, apenas cinco destinos religiosos nacionais já praticamente alcançavam sozinhos esse volume de visitantes, segundo o pesquisador.

A análise aponta que o cenário se ampliou ainda mais em 2025. Somente quatro grandes manifestações religiosas brasileiras somaram aproximadamente 20,1 milhões de visitantes no último ano. Entre elas estão a Basílica de Aparecida, em São Paulo, com cerca de 10,5 milhões de visitantes; a Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), com 4,3 milhões; a Festa da Penha, no Espírito Santo, com 2,7 milhões; e o Círio de Nazaré, em Belém (PA), com cerca de 2,6 milhões de participantes.

O levantamento aponta que os números não consideram dezenas de outros destinos religiosos, incluindo santuários, romarias regionais, festas de padroeiros e eventos ligados ao calendário católico e evangélico brasileiro. A avaliação é que o segmento movimenta uma cadeia econômica ampla, envolvendo hospedagem, alimentação, transporte, comércio popular, artesanato e serviços turísticos em diferentes regiões.

Para Sidnésio Moura, os dados nacionais atualmente disponíveis representam apenas "a ponta do iceberg" do Turismo Religioso brasileiro. O especialista defende atualização metodológica e aprofundamento das pesquisas para que o país consiga mensurar corretamente o impacto econômico, social e cultural do segmento.

O Turismo Religioso ganhou protagonismo técnico no Salão do Turismo 2026, realizado em Fortaleza. O evento reuniu especialistas para debater o planejamento voltados ao segmento religioso.

Nos últimos anos, o Turismo Religioso passou a ocupar espaço cada vez mais estratégico no setor. Além do peso cultural e histórico, especialistas destacam a capacidade do segmento de movimentar economias regionais e impulsionar o fluxo em cidades do interior, muitas vezes fora dos grandes roteiros tradicionais.