Correio da Manhã
El Niño

ONU alerta para possível retorno de forte El Niño nos próximos meses

Organização Meteorológica Mundial aponta alta probabilidade de formação do fenômeno e pede preparação para secas, enchentes e ondas de calor em diversas regiões do planeta

ONU alerta para possível retorno de forte El Niño nos próximos meses
ONU alertou para início de versão 'poderosa' do El Niño Crédito: Reprodução

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta terça-feira (2) para a possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño se desenvolver nos próximos meses, com potencial para intensificar eventos climáticos extremos em diferentes partes do mundo. Segundo a agência das Nações Unidas, há 80% de probabilidade de formação do fenômeno entre junho e agosto.

De acordo com os modelos climáticos analisados pela entidade, o El Niño deverá atingir pelo menos intensidade moderada, com possibilidade de se tornar forte. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que governos e populações precisam se preparar para o aumento de secas, chuvas intensas e ondas de calor associadas ao fenômeno.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também destacou a necessidade de medidas preventivas diante dos riscos climáticos. Segundo ele, os impactos tendem a ser mais severos em um cenário de aquecimento global e exigem ações voltadas à adaptação e à proteção das populações mais vulneráveis.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele influencia os padrões atmosféricos em várias regiões do planeta e costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos.

No Brasil, os efeitos geralmente incluem redução das chuvas na Região Norte e aumento das precipitações no Sul. Especialistas alertam, porém, que as consequências podem variar e favorecer a ocorrência de eventos extremos em diferentes áreas do país, afetando recursos hídricos, agricultura, geração de energia e sistemas de transporte.

O último episódio do fenômeno esteve associado a secas severas na Amazônia, enchentes históricas no Rio Grande do Sul, aumento das temperaturas e crescimento dos focos de incêndio em diversos biomas brasileiros.

Diante da possibilidade de um novo ciclo do El Niño, o governo federal anunciou recentemente a criação de um gabinete de crise para monitorar os impactos climáticos e coordenar ações de prevenção e resposta em todo o território nacional. O grupo reunirá órgãos governamentais e instituições de pesquisa para acompanhar a evolução do fenômeno e seus possíveis efeitos sobre a população.