As ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, vivem um novo momento de sua história. A programação do Festival das Ruínas, que já está em andamento, marca a conclusão do projeto de consolidação e requalificação do monumento. Após mais de um ano de obras e um investimento de R$ 18 milhões, o espaço é devolvido à população como um dos mais importantes patrimônios históricos do interior do Rio de Janeiro.
Construída em 1734 e tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), a antiga igreja foi cenário de batismos, casamentos, sepultamentos e da formação das primeiras comunidades da região. Agora, após um amplo trabalho de preservação, o espaço passa a contar também com um Centro de Referência voltado à educação patrimonial, pesquisa e valorização da memória local. O projeto foi desenvolvido pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O Festival
A programação do Festival das Ruínas teve início com uma masterclass para crianças e jovens no Instituto Brasileiro de Música e Educação (IBME), no Rio de Janeiro. Outra iniciativa que integrou a celebração foi a oficina de maquetes e xilogravuras realizada no distrito de Subaio, em Cachoeiras de Macacu, que contou com a participação de 20 pessoas. Além da formação artística, a oficina buscou incentivar a valorização do patrimônio histórico e cultural da região.
No dia 17 de julho o público poderá visitar as ruínas e a exposição permanente com objetos remanescentes da Igreja São José de Boa Morte, além da exposição de fotografias que foram escolhidas por meio de um processo de seleção feito pela Elysium e que contou com curadoria de especialistas das áreas de patrimônio, jornalismo e história.
No mesmo dia, o espaço recebe o seminário acadêmico "São José da Boa Morte e a Salvaguarda do Patrimônio", realizado pela Elysium em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Proarq/FAU-UFRJ). O evento, aberto ao público, reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir os desafios da preservação de ruínas históricas, a gestão do patrimônio cultural e as estratégias de valorização da memória em cidades do interior. Os interessados precisam fazer inscrição por meio do formulário: https://forms.gle/u931UViRGAhh6DiN7.
Arquiteta e professora na FAU-UFRJ/ Proarq, Niuxa Drago afirma que o tema do Patrimônio é, por natureza, um momento extensionista para a Universidade. "A atualização de um objeto patrimonial é sempre um diálogo entre instituições e comunidades, teoria e prática", diz. Rachel Wider, integrante da equipe Elysium e doutoranda do Proarq/UFRJ, acrescenta que o seminário irá mostrar que o estudo acadêmico e a prática de projeto e intervenção precisam caminhar juntos para fortalecer a preservação do patrimônio cultural. "É uma honra poder coordenar essa ação, apresentando para as pessoas um projeto que foi feito com tanta excelência pela Elysium", destaca.
A programação contará com profissionais de referência nas áreas de patrimônio, arquitetura e gestão cultural. A abertura será realizada por Wolney Unes, diretor técnico da Elysium Sociedade Cultural, e pela museóloga Célia Corsino, responsável pelo Museu Ciências da Terra. Também participam Marcus Monteiro, secretário de Cultura de Nova Iguaçu; Ivan Mascarenhas, chefe do Escritório Técnico do Iphan Médio Vale do Paraíba; além dos pesquisadores Niuxa Drago, Daniella Martins Costa e Thiago Fonseca, da UFRJ.
Durante o seminário será lançado o livro Ruínas de São José da Boa Morte, que reúne o processo de pesquisa realizado durante o processo de consolidação da antiga igreja, além de abordar aspectos técnicos da obra, das novas intervenções e dos resultados das ações sociais realizadas durante o trabalho da Elysium.
Para Wolney Unes, o festival é visto como um marco para a preservação do patrimônio histórico. "As ruínas de São José da Boa Morte representam não só a história de Cachoeiras de Macacu, mas também a importância de preservar referências culturais que ajudam a compreender a formação do território fluminense. Promover esse encontro no próprio local da intervenção fortalece o diálogo entre pesquisa, gestão e sociedade", conclui.
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