Correio da Manhã
História

Da Copa para a História: a relação de Argentina, Espanha, França e Inglaterra com os EUA

Como as disputas francesas e inglesas levaram à independência norte-americana, que ajudou os argentinos a se emanciparem dos espanhóis

Da Copa para a História: a relação de Argentina, Espanha, França e Inglaterra com os EUA
Pintura sobre a Guerra dos Cem Anos, uma disputa política e territorial entre França e Inglaterra Crédito: Benjamin West

As seleções que disputam as semifinais da Copa do Mundo 2026 revelam muito mais do que a rivalidade em campo. Argentina e Inglaterra possuem a famosa rixa pela Ilhas Malvinas (Falklands) na guerra travada na década de 1970, quando Margareth Tatcher era a primeira-ministra britânica. França e Inglaterra pela lendária Guerra dos Cem Anos na transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. E Argentina e Espanha, por serem metrópole e colônia. No entanto, há muitos fatores históricos que convergem as quatro equipes justamente no país onde acontecem os jogos, os Estados Unidos da América.

Para início de conversa, alguns países celebram datas importantes em julho. A Argentina, sua independência, no dia 9; a França, no dia 14, o fim da monarquia; e o anfitrião, Estados Unidos, no dia 4, sua independência. E pegando pelo nação norte-americana, pode-se iniciar um longa jornada histórica envolvendo as quatro seleções.

Do fato mais antigo para o mais atual, a jornada se inicia no século XIV, quando começou a ser travada a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra. O estopim foi a sucessão do trono francês, revindicado pelo rei inglês Eduardo III, era sobrinho de Carlos IV. Os franceses não gostaram muito da ideia de serem governados por alguém de fora e coroaram Felipe VI, iniciando a Dinastia Valois. No entanto, como os ingleses tinham vários feudos no território francês e não queriam dar vassalagem ao novo rei, começou o primeiro atrito entre os dois territórios, culminando em sucessivas guerras ao longo dos anos.

Com várias batalhas e tomadas e retomadas de terras por ambos os lados, além, claro, de inúmeras sucessões nos tronos dos dois reinos, o conflito, finalmente, teve um fim em meados do século XV. Para a França, o saldo foi mais positivo no fim. Já para a Inglaterra, o contexto gerou uma briga política interna, culminando na chamada Guerra das Duas Rosas, com as brigas entre as famílias de York e Lancaster pela sucessão do trono.

O inferno francês

Mesmo tendo saído mais vitoriosa da Guerra dos Cem Anos, a França ficou com profundas marcas do conflito, esperando um momento de vingança contra os ingleses. Mesmo passando por graves crises políticas, econômicas e sociais, o rei Luis XVI resolveu apoiar os colonos ingleses da América com armas e munições, na guerra de independência contra a Inglaterra.

A ajuda francesa resultou na formação dos Estados Unidos da América, em 4 de julho de 1776, este ano completam-se 250 anos do Tratado da Filadélfia. E a colaboração europeia está simbolizada com um presente à nova nação: a Estátua da Liberdade, em Nova York. Porém, assim como na Guerra dos Cem Anos, o conflito gerou profundas inseguranças na França, com a população se rebelando contra Luis XVI.

A consequência política para o rei, foi, justamente, a convocação de uma assembleia geral para a formação de uma nova constituição na França. Como a nobreza e o clero sempre eram alinhados, conseguiram fazer com que o voto para as aprovações das novas medidas fossem por hierarquia social, e não por quantidade de membros das camadas sociais. Com isso, os representantes da burguesia se reuniram em outro salão e fizeram de lá uma nova constituição.

A população, sabendo dos acontecimentos, se rebelou, tomando até a prisão símbolo da monarquia, a Bastilha, em 14 de julho de 1789. A partir da libertação dos presos políticos, o reinado de Luis XVI estava praticamente liquidado e o território, praticamente sendo dominado pela burguesia, camponeses, artesãos e outros. O fim da história, a disputa entre Girondinos e Jacobinos pelo poder, várias constituições e a pacificação com a coroação de Napoleão Bonaparte como imperador da França.

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Estátua da Liberdade foi um presente da França para os EUA | Foto: Kiera Roberts, CC BY-SA 4.0, WC

Expansão dos EUA para o Oeste

As treze colônias ingleses estavam situadas na costa Leste do atual território norte-americano e, ao longo dos séculos, com guerras e anexações de territórios, foi aumentando territorialmente rumo ao Oeste. Nesta expansão, comprou terras da França e da Espanha: Lousiana Francesa (Arkansas, Iowa, Kansas, Missouri, Nebraska, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Colorado, Louisiana, Minnesota, Montana, Oklahoma, Wyoming, Novo México e Texas) e Flórida.

Independência da Argentina

Famosa frase de James Monroe: "América para os americanos", para impedir a recolonização de territórios por europeus e referendar toda e qualquer independência de colônias no continente serviu de exemplo para que os Estados Unidos reconhcessem a Argentina como país, em 9 de julho de 1816.

Por mais que a Espanha não ligasse muito para suas colônias na América, o século XIX foi marcado por uma série de independências de seus vice-reinos e províncias, comandandos, principalmente, por Simón Bolívar e San Martin. Durante seis anos, os territórios da Bacia do Rio da Prata travaram guerras com os espanhóis por sua autonomia, conquistada, por meio de um tratado, formando, assim a República Argentina.