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Praça da Figurinha mantém tradição da Copa em Petrópolis

Troca de cromos reúne gerações na Praça da Inconfidência

Praça da Figurinha mantém tradição da Copa em Petrópolis
Trocas impulsionam vendas em bancas e pontos independentes durante o Mundial Crédito: Willian Bittencourt/CM

Por Gabriel Rattes e Johnnata Joras

A cada edição da Copa do Mundo, um costume atravessa gerações e volta a tomar conta das ruas: colecionar figurinhas. Em Petrópolis, a tradição tem endereço conhecido. A Praça da Inconfidência, no Centro Histórico, também chamada de Praça da Figurinha, reúne colecionadores de todas as idades em busca dos cromos que faltam para completar o álbum oficial do torneio.

Além da paixão pelo futebol, a movimentação também representa uma importante fonte de renda para bancas de jornal e vendedores independentes que aproveitam o período para reforçar o faturamento. O álbum da Copa continua sendo um dos produtos mais procurados nas bancas de jornal. Para muitos comerciantes, trata-se do período mais lucrativo do ciclo de quatro anos entre os Mundiais.

Há três décadas trabalhando na Praça da Inconfidência, o jornaleiro Júlio César Cilento afirma que a chegada do álbum transforma o movimento da banca. "É a melhor fase. A época da Copa do Mundo alavanca as vendas e levanta bem a condição da banca. A gente fica parado um bom tempo sem vender muita coisa e, com as figurinhas, consegue ter mais lucro", afirma.

Uma tradição além do futebol

Mais do que completar o álbum, a troca de figurinhas se tornou um momento de convivência entre moradores da cidade. Segundo Júlio, a prática mantém viva uma forma de interação que resiste aos tempos digitais.

"A cultura da troca de figurinha é legal porque promove a confraternização entre as pessoas. É um jeito de se comunicar fora do celular. O pessoal vem conversar, trocar e completar o álbum. Isso é uma curtição até hoje", destaca.

A fama do local é tão consolidada que muitos frequentadores sequer utilizam o nome oficial da praça durante o período da Copa.

Colecionar ficou mais caro

Neste ano, o álbum oficial custa R$ 24,90 na versão de capa mole. Já as versões especiais de capa dura, disponíveis em modelos dourado e prateado, são comercializadas entre R$ 75 e R$ 80. Mesmo com o aumento nos preços, a procura continua alta. Segundo os comerciantes, muitos colecionadores enxergam os álbuns como itens de recordação e até de investimento.

"Quem gosta de colecionar para guardar prefere o capa dura porque é mais resistente. Tem gente que pensa até em guardar para negociar no futuro como uma peça rara", explica Júlio.

Vendedores e colecionadores

Além das bancas de jornal, a Praça da Figurinha reúne vendedores independentes especializados na comercialização de cromos avulsos.

O vigilante Carlos Alberto Medeiros participa da movimentação desde a Copa de 2014 e diz que a atividade vai muito além do retorno financeiro. "A gente ri, tira foto, brinca e se diverte com as pessoas. Isso é gratificante. Você conhece gente nova e interage com crianças, jovens e idosos", conta.

Segundo ele, dependendo do movimento, a venda de figurinhas pode render entre R$ 600 e R$ 800 por dia. "Aqui virou a Praça da Figurinha. Quando a Copa começa mesmo, isso aqui fica lotado. É uma tradição que não pode morrer", afirma.

Geração em geração

A estudante Ana Luísa Barros conheceu o universo das figurinhas por influência do pai, apaixonado por futebol. Ela conta que completou o álbum da Copa de 2018 e, mesmo sem colecionar nesta edição, não deixou de visitar a praça. "Meu pai sempre gostou muito de futebol e passou isso para mim. Em 2018 eu completei o álbum inteiro. Este ano eu não estou fazendo, mas já garanti minha figurinha do Messi", brinca.

Para ela, a movimentação na praça mostra que a tradição permanece viva entre os jovens. "É bacana ver todo mundo trocando figurinha. A praça fica cheia e a gente percebe que essa cultura continua forte".

Diversão que também gera renda

O motorista de aplicativo Jucemar da Costa trabalha com venda e troca de figurinhas desde a Copa de 2010. Segundo ele, o retorno financeiro é importante, mas o principal motivo para continuar na atividade é o prazer de participar do ambiente criado em torno da Copa. "Comecei em 2010 e gostei da brincadeira. Claro que existe lucro, mas é uma coisa gostosa de fazer. Eu gosto de estar aqui", afirma.

Ele destaca que o investimento é alto e que uma caixa de figurinhas pode custar entre R$ 6,5 mil e R$ 7 mil. Mesmo assim, a procura costuma compensar o esforço. "Aqui já virou tradição. Nem é mais Praça da Inconfidência, é Praça da Figurinha".

Comércio local

Outro comerciante que percebe os reflexos da Copa é o jornaleiro Fernando Wilbert, responsável pela banca localizada ao lado do Colégio Dom Pedro II. Segundo ele, o aumento do número de seleções participantes nesta edição também ampliou o interesse dos colecionadores.

"São 980 figurinhas no álbum. Isso faz com que as pessoas comprem mais pacotes e demorem mais para completar a coleção. Para a banca, realmente melhora bastante nesse período", explica.

Ele observa que muitos colecionadores optam pelos modelos de capa dura. "O pessoal gosta de guardar. O álbum capa dura protege mais e acaba sendo bastante procurado".