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Fux defende proibição das bets, mas cobra debate sobre impactos

Ministro do STF diz ver apostas como problema de saúde pública

Por Redação

Na audiência, ele lembrou que já tinha ouvido entidades contrárias em 2024

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (3) ter formado a percepção de que as apostas on-line, conhecidas como bets, deveriam ser banidas no Brasil. Ele disse considerar os jogos um problema de saúde pública. Disse, porém, que o STF precisa avaliar novos argumentos, especialmente sobre segurança jurídica.

A declaração foi feita durante audiência pública sobre a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração e a publicidade das apostas no país. Fux lembrou que o STF já havia realizado, em 2024, uma audiência sobre os impactos das bets. Segundo ele, entidades contrárias apresentaram relatos sobre danos sociais e ludopatia, o vício em jogos. "Ninguém aqui falou bem", afirmou, ao citar organizações de saúde e defesa do consumidor.

A composição do encontro desta terça foi questionada pela presença de representantes de clubes de futebol, entidades esportivas e associações ligadas ao mercado de apostas. Fux negou ter convocado apenas participantes favoráveis ao setor. A pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), foram incluídos representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública. Também participaram a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e entidades esportivas. Com as inclusões, a lista chegou a 34 participantes. Entre os convocados estão também o Comitê Paralímpico, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol e o Grêmio.

Fux afirmou que os processos já reúnem informações sobre os prejuízos das apostas, mas que novos argumentos devem ser considerados. A audiência tem caráter informativo e não decide a validade da medida provisória.

A discussão ocorre no âmbito de oito ações diretas de inconstitucionalidade relatadas por Fux. Uma delas, a ADI 8.027, foi apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias, que questiona a MP e pede a suspensão da proibição. O julgamento foi interrompido em agosto, após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Caberá ao plenário do STF decidir se a medida é compatível com a Constituição. A posição manifestada por Fux na audiência não representa uma decisão do tribunal.