Corregedor do CNJ quer tecnologia para combater morosidade processual

Benedito Gonçalves assume o cargo com foco em eficiência e modernização

Por Beatriz Cicci

Benedito Gonçalves quer reduzir morosidade processual

O ministro Benedito Gonçalves assumiu, nesta terça-feira (25), o cargo de corregedor nacional da Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o biênio 2026-2028. Com o encerramento da gestão do ministro Mauro Campbell – o atual vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) –, Gonçalves toma posse após ser nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira (17).

Com mais de 38 anos na magistratura, Gonçalves foi ministro na Primeira Turma do STJ pelos últimos 18 anos. Além disso, atuou como corregedor-geral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2022 e 2023.

Como relator no TSE, Gonçalves conduziu as ações que resultaram na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob o entendimento de que o ex-presidente havia disseminado informações falsas para desacreditar o sistema de votação.

Legislação anti-racista

Entre as principais iniciativas impulsionadas pelo magistrado, destaca-se o estímulo à participação da população negra no processo eleitoral. O ministro ainda presidiu a comissão de juristas que propôs avanços na legislação anti-racista do país.

Atualmente, Gonçalves é diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e liderou a implementação do Exame Nacional da Magistratura (Enam), para a padronização e à igualdade no ingresso na carreira judicial.

Eficiência

Durante a solenidade, o ministro ressaltou que a Corregedoria deve atuar na convergência entre a responsabilidade funcional, eficiência institucional e confiança pública. Gonçalves reafirmou seu compromisso com a sociedade e assegurou que sua gestão será marcada pela correção de falhas, identificação de gargalos no Poder Judiciário e pelo diálogo entre as instituições públicas e a sociedade que servem – com finalidade preventiva e orientadora.

“A resposta institucional precisa conciliar duas coisas: unidade nacional e sensibilidade local. Isso exige diálogo permanente com os tribunais, com as corregedorias, com as escolas judiciais, com as serventias extrajudiciais e com os demais órgãos do sistema de Justiça”, detalhou o ministro.

O ministro ainda manifestou intenção de diminuir demoras em processos judiciais, apontando o uso da tecnologia como um dos desafios a serem enfrentados.

“Os recursos devem reduzir tempos improdutivos, revelar gargalos e qualificar a gestão. Mas a tecnologia é um instrumento, não substituto da responsabilidade humana. A inovação deve estar sempre subordinada à transparência, às garantias processuais e aos direitos fundamentais. A Justiça do futuro não será apenas mais digital, terá de ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana”, declarou.