CNJ retoma debate sobre sustentação oral em julgamentos virtuais

Proposta em análise prevê retirada automática de processos do plenário virtual quando houver pedido de sustentação oral

Por Da Redação SP

Tema reacende o debate sobre a digitalização da Justiça e as garantias processuais.

A possível retomada, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da análise da proposta que prevê a retirada automática de processos do plenário virtual quando houver pedido de sustentação oral volta a mobilizar a comunidade jurídica. O tema reacende o debate sobre como conciliar a digitalização da Justiça com a preservação das garantias processuais.

Para Leonardo Guerzoni Furtado de Oliveira, diretor da AASP (Associação dos Advogados), a discussão não representa uma resistência ao avanço tecnológico. “A transformação digital trouxe ganhos inegáveis para a prestação jurisdicional. A Advocacia reconhece esses avanços e participa ativamente desse processo de modernização. O debate não é entre tecnologia e tradição”, afirma.

A proposta em análise determina que, sempre que houver requerimento de sustentação oral, o processo seja automaticamente transferido para sessão presencial ou por videoconferência. O julgamento começou em maio deste ano, mas foi suspenso e aguarda nova inclusão na pauta do CNJ.

Segundo Guerzoni, a sustentação oral continua desempenhando papel relevante, especialmente em processos complexos. “A sustentação oral não existe por apego a formalidades. Ela permite esclarecer aspectos que nem sempre ficam evidentes nas manifestações escritas, responder a dúvidas que surgem durante o julgamento e contribuir para a formação do convencimento dos julgadores”, destaca.

O debate ganhou força após a consolidação dos julgamentos virtuais em todo o país, especialmente depois da Resolução nº 591/2024 do CNJ. Embora o modelo tenha ampliado a produtividade dos tribunais e contribuído para a redução do acervo processual, também passou a gerar questionamentos sobre a efetividade da participação das partes e da Advocacia nos julgamentos colegiados.

Entre as preocupações levantadas por especialistas estão a redução dos espaços de diálogo entre advogados e magistrados, o enfraquecimento da oralidade como instrumento de convencimento e o risco de que atos processuais relevantes sejam transformados em etapas meramente formais.

Para a AASP, o avanço tecnológico deve ser acompanhado de mecanismos que garantam participação efetiva e reforcem a confiança dos cidadãos no sistema de Justiça. “O contraditório contemporâneo pressupõe influência efetiva sobre a formação da decisão. Não basta que a parte tenha a oportunidade formal de se manifestar. É necessário que existam condições reais para que seus argumentos sejam considerados e debatidos”, afirma o diretor.

A entidade defende que a modernização do Judiciário preserve garantias constitucionais como o contraditório, a ampla defesa, a transparência e a efetiva participação das partes nos julgamentos.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a data de retomada da votação no CNJ.