MPF pede suspensão do projeto Cidade Urbitá por riscos ambientais e adensamento populacional ilegal no DF

Procuradoria da República no Distrito Federal ajuíza ação civil pública para paralisar licenciamento do empreendimento em Sobradinho, citando impactos ambientais

Por Da Redação

Projeção do bairro planejado Cidade Urbitá, em Sobradinho

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para paralisar o licenciamento do empreendimento Cidade Urbitá, em Sobradinho (Distrito Federal), por riscos ambientais graves e adensamento populacional considerado ilegal pelo órgão. A ação foi protocolada na terça-feira (7) pela Procuradoria da República no Distrito Federal, argumentando que o projeto habitacional prevê uma população muito elevada e omite impactos significativos ao meio ambiente na análise ambiental.

O projeto prevê abrigar cerca de 134?mil pessoas, o que o MPF destacou como uma população superior a “80% das cidades brasileiras”. O procurador da República Daniel Cesar Azeredo Avelino afirmou que o projeto “destoa completamente do pedido originário” de 2010, cujo objetivo era apenas a regularização fundiária da Fazenda Paranoazinho, e não a criação de um bairro de alta densidade populacional.

Segundo o MPF, a proposta apresenta “impermeabilização excessiva para as áreas”, que poderá ter impactos ambientais e sociais consideráveis e que, conforme o Relatório de Impacto Ambiental Complementar (RIAC), “não foram devidamente mensurados”. “A impermeabilização abusiva nesta região poderá afetar os processos naturais de recarga dos aquíferos subterrâneos, elevando o risco de cheias e comprometendo os recursos hídricos das sub-bacias do Ribeirão Sobradinho e do Rio São Bartolomeu”, explicou o procurador na ação.

Outro ponto citado pelo MPF é o sistema de saneamento previsto no projeto. O órgão afirmou que pareceres técnicos indicam que “a capacidade do Ribeirão Sobradinho para receber novos efluentes já está esgotada”. Além disso, partes essenciais da infraestrutura, como a estação elevatória de esgoto, estariam propostas para instalação em Áreas de Preservação Permanente (APPs), sem alternativas para evitar esses locais protegidos.

Na ação, o MPF requer com urgência a  interrupção imediata de todos os processos administrativos relacionados ao licenciamento do Cidade Urbitá, a anulação da autorização ambiental concedida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), considerando que foram ignorados riscos interrelacionados e cumulativos e a elaboração de novos estudos de impacto, feitos pela Urbanizadora Paranoazinho, que avaliem o impacto total do projeto — e não apenas de etapas fragmentadas — incluindo a capacidade real do Ribeirão Sobradinho em suportar o esgoto gerado.

O MPF também reforçou que os parâmetros técnicos de adensamento e verticalização propostos “geram preocupações e requerem precauções e avaliações técnicas mais profundas” antes de qualquer avanço das obras.

Outro lado

Em nota, a desenvolvedora Urbanizadora Paranoazinho explicou que "a Cidade Urbitá tem 17 anos de planejamento e  todas as aprovações  urbanísticas e ambientais obtidas junto ao GDF, Conplan, Ibram, ICMBio e demais órgãos competentes, e um projeto construído com plena conformidade legal e técnica".

"Esse histórico nos dá tranquilidade para responder a qualquer questionamento. O que nos preocupa, de verdade, é que ações infundadas como essa do Ministério Público Federal, dirigidas a quem investe, planeja e cumpre todos os processos exigidos, consumam energia institucional que faria muito mais diferença no combate à ocupação desordenada que historicamente avança sobre o território do Distrito Federal" - finaliza a nota divulgada à imprensa.

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