MPF inicia debate sobre acessibilidade em aplicativos de transporte

Audiência pública será realizada no dia 13 de maio, em ambiente virtual com transmissão pelo YouTube, para discutir acessibilidade em aplicativos de transporte.

Por Andre Souza

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O Ministério Público Federal (MPF) realizará, no dia 13 de maio, uma audiência pública para discutir medidas que garantam acessibilidade a idosos e pessoas com deficiência nos aplicativos de transporte individual no Brasil., como a Uber e a 99, por exemplo.

O encontro será virtual, com transmissão ao vivo pelo canal institucional do órgão e pelo Youtube, e terá participação aberta à sociedade civil, empresas do setor e especialistas em direitos humanos.

A iniciativa surge a partir de procedimento conduzido pelo MPF que investiga dificuldades enfrentadas por usuários com deficiência e idosos ao utilizarem plataformas digitais de mobilidade. Entre os principais problemas relatados estão recusas de corridas por motoristas, ausência de atendimento especializado e barreiras no embarque, sobretudo em locais de grande circulação, como aeroportos e rodoviárias.

Segundo o órgão, essas situações indicam "possíveis práticas discriminatórias e evidenciam lacunas estruturais no modelo atual dos serviços por aplicativo". A audiência pretende reunir "contribuições para aprimorar políticas públicas e estimular mudanças nas plataformas, incluindo capacitação de motoristas e criação de categorias específicas voltadas ao transporte acessível" - cita o comunicado do MPF.

Dados levantados durante a apuração mostram que a legislação brasileira ainda apresenta omissões quanto à obrigatoriedade de veículos adaptados em frotas de aplicativos, diferentemente do que ocorre com serviços tradicionais, como táxis. A ausência de regras claras sobre o quantitativo mínimo de veículos acessíveis tem sido apontada como um dos principais entraves à inclusão plena desse público.

O MPF destaca que "a limitação de acesso ao transporte compromete direitos fundamentais assegurados pela Lei Brasileira de Inclusão, pelo Estatuto do Idoso e pela Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência". Para o órgão, "a mobilidade urbana acessível é condição essencial para garantir autonomia, participação social e igualdade de oportunidades".

A audiência pública também busca promover diálogo direto entre empresas responsáveis pelos aplicativos, representantes governamentais e entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. A expectativa é que o debate contribua para identificar soluções práticas capazes de reduzir barreiras físicas, tecnológicas e comportamentais ainda presentes no serviço.

Motoristas de aplicativos

O tema ganha relevância diante do crescimento acelerado do trabalho por aplicativos no país. Estimativas do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), indicam que o Brasil possui cerca de 1,7 milhão de motoristas de transporte por aplicativo, dentro de um universo superior a 2 milhões de trabalhadores vinculados a plataformas digitais.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que aproximadamente 964 mil brasileiros têm o transporte por aplicativo como principal ocupação, o que evidencia o peso econômico e social do setor na geração de renda e na dinâmica da mobilidade urbana. O levantamento também aponta crescimento contínuo dessa atividade nos últimos anos.

 A participação na audiência é gratuita e aberta a cidadãos interessados, organizações da sociedade civil e instituições públicas. As inscrições devem ser realizadas por e-mail até o dia 11 de maio, conforme edital divulgado pelo MPF.