Cade deve analisar preços de combustíveis

Governo quer apurar reajustes feitos por distribuidoras

Por Da Redação

Estatal não comunicou mudanças nos valores praticados

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a análise de recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em diferentes regiões do país. O pedido foi formalizado por meio de ofício encaminhado ao órgão responsável por zelar pela concorrência no mercado brasileiro.

De acordo com a Senacon, a solicitação foi motivada por informações divulgadas por entidades representativas do setor de revenda de combustíveis em quatro estados e no Distrito Federal. Representantes desses sindicatos afirmaram publicamente que distribuidoras teriam promovido reajustes nos valores cobrados dos postos de abastecimento, apontando como justificativa a elevação das cotações do petróleo no mercado internacional.

Entre as entidades citadas estão sindicatos ligados ao comércio de combustíveis no Distrito Federal, na Bahia, no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Segundo relatos dessas organizações, as distribuidoras teriam repassado aumentos aos postos mesmo sem anúncio oficial de reajuste nos preços de combustíveis nas refinarias da Petrobras.

Até o momento, a estatal não comunicou mudanças nos valores praticados nas refinarias durante o período em que os reajustes foram observados. Essa diferença entre o preço de referência e os valores relatados por representantes do setor motivou o pedido de análise que foi encaminhado ao Cade.

Prática contra a livre concorrência

No ofício, a Senacon pede que o órgão avalie se há indícios de práticas que possam afetar a livre concorrência no mercado de combustíveis. Entre os pontos citados está a possibilidade de condutas coordenadas ou alinhamento de preços entre agentes econômicos, o que poderia caracterizar práticas anticoncorrenciais caso seja comprovado.

O Cade é responsável por investigar e julgar situações que possam comprometer o funcionamento competitivo dos mercados no país. Caso identifique irregularidades, o órgão pode abrir processos administrativos para apurar responsabilidades e aplicar eventuais sanções.

A Secretaria Nacional do Consumidor informou que o encaminhamento do pedido faz parte do monitoramento contínuo realizado por órgãos do governo federal sobre o comportamento do mercado de combustíveis. O objetivo é acompanhar variações de preços, avaliar impactos para os consumidores e garantir transparência nas práticas comerciais adotadas pelos diferentes agentes da cadeia de abastecimento.