Roblox sob pressão: protestos virtuais, ataques a Felca e novas regras de segurança reacendem debate sobre proteção digital infantil

Por Da redação

Youtuber denunciou exploração de crianças

A Roblox, plataforma de jogos online voltadas para crianças e adolescentes, entrou no centro das atenções nos últimos dias após uma onda de protestos organizados dentro do próprio ambiente virtual. Avatares segurando cartazes, encenações de vandalismo e mensagens críticas contra criadores de conteúdo circularam em vídeos nas redes sociais, em resposta às novas políticas de segurança anunciadas pela empresa.

A principal mudança foi a limitação do uso do chat de voz de acordo com a idade dos usuários, medida que, segundo a companhia, busca reforçar a proteção de menores e evitar interações por áudio entre adultos e crianças. Para parte do público infantil, no entanto, a atualização afetou negativamente a experiência de jogo.

A polêmica acabou envolvendo o influenciador Felca, que já havia se destacado em 2025 ao criticar a “adultização” de crianças no ambiente digital. Mesmo sem participação nas decisões da plataforma, seu nome foi associado às novas regras e ele relatou ter se tornado alvo de ataques virtuais.

“Estou sendo atacado por crianças na minha DM porque a Roblox tirou o chat de voz”, escreveu ao divulgar prints das mensagens e ameaças recebidas. A repercussão reacendeu o debate sobre os limites da interação digital na infância e a responsabilidade das empresas em garantir ambientes seguros.

A advogada Mayra Mega Itaborahy, sócia do escritório Murayama, Affonso Ferreira e Mota Advogados, avalia que as medidas adotadas pela Roblox estão em sintonia com a legislação brasileira e com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal.

“As diretrizes da LGPD se diferenciam para crianças e adolescentes no que diz respeito à necessidade de autorização de, pelo menos, um dos pais para o tratamento de dados, e ao não condicionamento da participação dos menores em jogos em troca de informações pessoais”, explica. Ela lembra que o STF julgou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, estabelecendo o chamado “dever de cuidado” em casos de crimes gravíssimos, o que exige atuação proativa dos provedores para impedir a circulação de conteúdos nocivos.

Mayra Mega ressalta ainda que o recém-criado Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (Lei 15.211/2025), que entra em vigor em março de 2026, impõe obrigações específicas aos provedores, incluindo medidas preventivas contra riscos de exposição a conteúdos violentos ou abusivos e salvaguardas previstas no Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos. “Portanto, entendemos que o provedor do jogo Roblox está agindo em conformidade com a legislação brasileira e com a jurisprudência do STF, protegendo a integridade de crianças e adolescentes no ambiente digital”, conclui.