Projeto cria política de saúde mental para servidores da educação pública
Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025
Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados propõe a criação da Política Nacional de Saúde Mental Ocupacional dos Profissionais da Educação. A medida vale para trabalhadores das redes pública e privada de ensino e inclui servidores públicos estatutários, empregados celetistas e profissionais contratados temporariamente.
Apresentado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), o PL 3.749/2026 estabelece diretrizes para prevenção, monitoramento e atendimento de transtornos mentais relacionados ao trabalho nas escolas. A proposta também prevê ações de acolhimento, proteção contra violência e assédio, capacitação de gestores e integração entre as áreas de saúde e educação.
Um dos principais focos do projeto é alcançar os servidores públicos da educação. Segundo a justificativa, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho a partir de maio de 2026, tem aplicação vinculada à legislação trabalhista e não abrange os servidores estatutários, maioria nas redes públicas de ensino. O projeto busca preencher essa lacuna ao criar regras aplicáveis independentemente do vínculo funcional.
O texto determina que as redes de ensino adotem medidas para identificar e reduzir fatores que afetam a saúde mental, como excesso de carga de trabalho, jornadas, metas, violência e assédio. Também prevê a produção de indicadores sobre adoecimento relacionado ao trabalho, com articulação entre órgãos de saúde e educação, preservando o sigilo dos dados individuais.
Pela proposta, o acolhimento dos profissionais deverá seguir protocolos oficiais e ser baseado em evidências científicas. Quando necessário, haverá encaminhamento para atendimento especializado na rede de saúde. O projeto ainda prevê protocolos para prevenção e resposta a casos de violência no ambiente escolar, incluindo registro das ocorrências e apoio às vítimas.
Na justificativa, o autor cita que o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. Também afirma que, entre os docentes, os afastamentos por ansiedade e transtornos relacionados ao estresse estão entre os mais frequentes.
O projeto estabelece que as ações serão financiadas com recursos já previstos nos orçamentos das áreas de saúde e educação, sem criação de nova despesa obrigatória. A proposta aguarda o início da tramitação nas Comissões da Casa.