Trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares entram em greve nacional

Profissionais de 45 hospitais federais cobram reajuste e melhores condições

Por Andre Souza

Hospital da Universidade Federal de Goiás, administrada pela EBSERH

Trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) deflagraram uma greve nacional, envolvendo unidades de hospitais universitários em ao menos oito estados: Goiás, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Bahia e Tocantins. A mobilização é coordenada por sindicatos filiadas à Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef/Fenadsef) e busca pressionar o governo federal por avanços nas negociações trabalhistas e condições de trabalho nos hospitais geridos pela Ebserh.

Segundo os representantes sindicais, a paralisação é resultado de anos de reivindicações não atendidas, incluindo a reposição salarial de acordo com a inflação, melhorias nas cláusulas sociais do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e a reestruturação dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Para os trabalhadores, a defasagem salarial e a falta de avanços nos direitos compromete a qualidade do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas unidades federais.

A Ebserh administra 45 hospitais universitários federais distribuídos por todo o país. Dados mais recentes divulgados pelo Governo Federal mostram que há 67.892 trabalhadores atuando nas unidades , incluindo empregados contratados pelo regime CLT e outros vínculos . Milhões de pessoas são atendidas anualmente nesses hospitais pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

Nos hospitais que entram em greve, a categoria está mantendo o mínimo legal de 30% do efetivo, garantindo o atendimento das atividades essenciais e urgentes à população, como emergências e procedimentos críticos. Essa medida segue a legislação sobre serviços essenciais, equilibrando a pressão sobre a empresa com a proteção à saúde dos pacientes.

A mobilização nacional acontece em meio a negociações dos trabalhadores com a Ebserh, que apresentou uma proposta de reajuste de apenas 1,4%, considerada insuficiente frente à inflação e às perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. A categoria reivindica a aplicação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado, somado a um ganho real de 15%, para recompor o poder de compra dos servidores. A divergência entre as propostas tem sido apontada como a principal motivação para a greve.

Além de questões salariais, os trabalhadores denunciam a lentidão da Ebserh em apresentar uma contraproposta para as cláusulas econômicas do ACT, o que intensificou a insatisfação nacional. Representantes sindicais afirmam que as negociações mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) ainda não avançaram de forma satisfatória, motivando a ampliação da mobilização para várias unidades pelo país.

Período eleitoral

O movimento também alerta para o impacto da legislação eleitoral, que restringe reajustes acima da inflação a partir de 6 de abril de 2026, o que aumenta a pressão sobre o governo federal para chegar a um acordo antes do prazo. Para os sindicatos, a mobilização nacional visa fortalecer a unidade da categoria e mostrar a gravidade da situação aos gestores da Ebserh e às autoridades federais.