Economia

PEC exige novo planejamento e organização das empresas

Empregadores devem se preparar para revisar escalas, contratos e custos

PEC exige novo planejamento e organização das empresas
Pelo cronograma previsto na proposta, a primeira etapa deverá ocorrer 60 dias após a promulgação, quando a jornada máxima semanal passará a ser de 42 horas, com adoção da escala 5x2 Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A aprovação, pelo Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 coloca as empresas diante de um novo desafio de planejamento trabalhista e operacional. A mudança estabelece um modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado por semana, além da redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto ainda depende de promulgação e publicação para que comece a contar o prazo de implementação.

Pelo cronograma previsto na proposta, a primeira etapa deverá ocorrer 60 dias após a promulgação, quando a jornada máxima semanal passará a ser de 42 horas, com adoção da escala 5x2. Depois de mais 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas semanais. O período de transição exigirá que empregadores avaliem como adequar suas operações às novas regras, especialmente nos setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, turismo, alimentação, saúde e serviços.

Para Tatiana Sant'Anna, advogada trabalhista do Durão, Almeida & Pontes Advogados Associados (DAP Advocacia), a preparação antecipada será importante para que as empresas consigam reorganizar suas atividades sem comprometer a continuidade dos serviços e sem ampliar a exposição a passivos trabalhistas.

"A mudança na escala de trabalho não envolve apenas a alteração dos dias de descanso. Para muitas empresas, será necessário rever a distribuição das jornadas, a composição das equipes, os horários de funcionamento e os mecanismos de cobertura de turnos. Quanto antes esse diagnóstico for realizado, maiores serão as condições de planejar a transição e reduzir o risco de decisões emergenciais que gerem custos adicionais ou problemas trabalhistas", avalia a especialista.

Um dos principais pontos de atenção será a revisão das escalas praticadas atualmente. Empresas que operam seis ou sete dias por semana precisarão avaliar como manter o atendimento e a produtividade diante da nova organização da jornada, considerando as particularidades de cada atividade e as regras aplicáveis à categoria profissional.

A adequação também poderá exigir a revisão de contratos, controles de ponto, políticas internas e instrumentos coletivos. A análise deverá considerar os limites de jornada, os períodos de descanso e as condições previstas em acordos e convenções coletivas, respeitando a legislação vigente e as disposições específicas de cada regime de trabalho.

"Não é recomendável tratar a mudança como uma simples troca de escala. Cada empresa precisa avaliar sua operação, identificar os horários de maior demanda e verificar se o quadro atual será suficiente para atender às necessidades do negócio. Dependendo da atividade, pode ser necessário redistribuir tarefas, rever turnos ou estudar a necessidade de novas contratações", explica Tatiana.

Outro desafio está nos possíveis reflexos financeiros da adaptação. A necessidade de ampliar equipes, redistribuir horários ou contratar profissionais para cobrir períodos antes atendidos pela mesma estrutura poderá pressionar os custos de determinados negócios.

O impacto, porém, não será necessariamente igual para todas as empresas. Ele dependerá de fatores como o setor de atuação, o número de funcionários, o modelo de funcionamento, as jornadas atualmente praticadas e a possibilidade de reorganização dos processos internos.

Na avaliação da advogada, o planejamento deve considerar diferentes cenários antes da entrada em vigor das novas regras.