Greve dos Correios

Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

Paralisação começou após categoria rejeitar proposta da estatal; plano de saúde está entre os principais pontos do impasse

Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado
Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado Crédito: Divulgação

Trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), após assembleias realizadas em diferentes regiões do país aprovarem a paralisação. O movimento começou às 22h de quinta-feira (10), depois de mais uma tentativa de negociação terminar sem acordo.

Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), todas as 35 assembleias realizadas até o fechamento do levantamento aprovaram a greve. Entre as bases que aderiram estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Maranhão e Mato Grosso do Sul. No Acre, a deliberação estava prevista para esta sexta-feira.

A paralisação ocorre em meio às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. Um dos principais impasses envolve o plano de saúde dos funcionários, além de reivindicações sobre reajustes de salários e benefícios e a manutenção de direitos da categoria.

As negociações chegaram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Os próprios Correios solicitaram a mediação da Corte no fim de agosto, após rodadas de negociação realizadas em julho e agosto não resultarem em consenso. A estatal afirmou na ocasião que buscava uma solução que conciliasse a preservação dos direitos dos empregados com sua sustentabilidade financeira e a continuidade dos serviços.

Na quinta-feira, uma nova reunião com participação do TST, dos Correios e das entidades que representam os trabalhadores terminou sem acordo. Segundo a FINDECT, a empresa manteve sua posição sobre o plano de saúde, levando a federação a orientar a aprovação da greve nas assembleias realizadas horas depois.

A mobilização ocorre em um momento de grave crise financeira da estatal. Os Correios vêm adotando medidas de reestruturação para tentar recuperar o caixa e reduzir despesas. Nesta sexta-feira, a empresa também formalizou pedido de garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com quatro bancos privados. A estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026.

A adesão à greve pode provocar impactos na distribuição de cartas e encomendas e no funcionamento das unidades, mas a dimensão dos efeitos depende da participação dos trabalhadores em cada região. Até o momento, não há indicação de suspensão integral dos serviços dos Correios em todo o país.

A greve não tem prazo definido para terminar. As entidades sindicais defendem a retomada das negociações para chegar a um novo acordo coletivo e preservar as condições do plano de saúde.