PIB do Brasil

PIB do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre e economia movimenta R$ 3,4 trilhões

Agropecuária liderou expansão entre os grandes setores, enquanto consumo das famílias recuou e investimentos avançaram 1,2% no período

PIB do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre e economia movimenta R$ 3,4 trilhões
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB brasileiro apresentou expansão de 2% Crédito: Tony Winston/Agência Brasília

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º). Em valores correntes, a economia brasileira movimentou R$ 3,4 trilhões entre abril e junho.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB brasileiro apresentou expansão de 2%. No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a economia avançou 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado trimestral teve como principal destaque a Agropecuária, que cresceu 2,8%. O setor apresentou desempenho significativamente superior ao da Indústria e dos Serviços, que registraram altas de 0,1% e 0,2%, respectivamente.

Agropecuária puxa crescimento do PIB

A Agropecuária foi o setor que mais contribuiu para o avanço da economia brasileira no segundo trimestre. Na comparação com o primeiro trimestre, a atividade cresceu 2,8%.

Em relação ao mesmo período de 2025, a expansão chegou a 6,8%. O resultado foi influenciado pelo desempenho da pecuária e por produtos agrícolas que apresentaram aumento nas estimativas de produção e ganhos de produtividade.

Entre as principais culturas, a produção de soja cresceu 5,3%, enquanto o café teve alta de 15,1%. Em sentido contrário, o arroz recuou 11,3%, o algodão caiu 6,7% e o milho permaneceu estável.

O IBGE ressalta, porém, que os números individuais das lavouras são utilizados na comparação anual. Como não existem séries com ajuste sazonal específicas para cada cultura, os dados não permitem determinar isoladamente quanto cada produto contribuiu para a alta trimestral de 2,8% da Agropecuária.

Segundo Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, seria necessário realizar o ajuste sazonal de todas as lavouras para identificar com precisão quais culturas determinaram o crescimento do setor no trimestre.

Indústria cresce apenas 0,1%

A Indústria teve crescimento de 0,1% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores. O resultado foi sustentado principalmente pelas Indústrias Extrativas, que avançaram 3,4%.

Na comparação anual, o desempenho das atividades extrativas foi ainda mais expressivo, com alta de 12%. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e gás.

Nem todos os segmentos industriais, porém, acompanharam o movimento. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1% no trimestre. A Indústria de Transformação e a Construção tiveram queda de 0,4% cada uma.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a Indústria de Transformação apresentou retração de 0,9%, enquanto o segmento de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos caiu 0,5%.

A Construção, por outro lado, cresceu 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Serviços avançam 0,2%

O setor de Serviços cresceu 0,2% entre abril e junho, na comparação com o primeiro trimestre.

O segmento de Informação e Comunicação apresentou o melhor resultado, com alta de 2,1%. Transporte, armazenagem e correio avançou 1,1%, enquanto as Atividades Imobiliárias cresceram 0,2%.

Comércio e Outras Atividades de Serviços permaneceram estáveis.

Na outra ponta, Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social recuaram 0,4%. As atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados tiveram queda de 0,3%.

Na comparação anual, porém, os Serviços cresceram 1,5%. Todas as atividades apresentaram resultado positivo, com destaque para Informação e Comunicação, que avançou 8,4%.

Também cresceram as Atividades Imobiliárias (2,2%), Transporte, armazenagem e correio (1,2%), Outras Atividades de Serviços (1,1%), Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados (1%), Comércio (0,9%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,9%).

Consumo das famílias recua no segundo trimestre

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias foi um dos principais pontos de atenção do resultado do PIB. Os gastos dos consumidores diminuíram 0,4% em relação ao primeiro trimestre.

O Consumo do Governo, por outro lado, cresceu 0,4%. Os investimentos tiveram expansão de 1,2%.

No setor externo, as Exportações recuaram 0,8%, enquanto as Importações aumentaram 1,8%.

Apesar da retração trimestral, o consumo das famílias cresceu 0,5% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

O resultado ocorre em um período de aumento da massa salarial real e expansão do crédito destinado às pessoas físicas. Para Ricardo Montes de Moraes, do IBGE, entretanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre esses fatores e o comportamento do consumo.

Segundo o coordenador, os recursos adicionais das famílias podem ser direcionados para diferentes finalidades. Os dados do PIB também não permitem determinar isoladamente o impacto dos juros, do câmbio ou de outros fatores sobre as decisões de consumo.

PIB cresce 1,9% no primeiro semestre

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025.

A Agropecuária apresentou alta de 3,6%, enquanto a Indústria cresceu 1,6% e os Serviços avançaram 1,8%.

Dentro da Indústria, as atividades extrativas tiveram o maior crescimento, de 12,5%. A Construção avançou 1,1%. Em contrapartida, Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%, e a Indústria de Transformação caiu 0,9%.

Entre os Serviços, Informação e Comunicação liderou o crescimento no semestre, com alta de 8%. Também apresentaram resultados positivos as Atividades Imobiliárias (2,6%), Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados (1,9%), Outras Atividades de Serviços (1,7%), Comércio (1%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (1%) e Transporte, armazenagem e correio (0,9%).

Na demanda interna, o Consumo das Famílias aumentou 1,1% no semestre. O Consumo do Governo cresceu 2,9%, enquanto os investimentos permaneceram estáveis.

No comércio exterior, as Exportações aumentaram 5,5% e as Importações tiveram expansão de 3,4%.

Os principais números do PIB no 2º trimestre de 2026

  • PIB: +0,5% ante o 1º trimestre;
  • PIB: +2% ante o 2º trimestre de 2025;
  • Agropecuária: +2,8%;
  • Indústria: +0,1%;
  • Serviços: +0,2%;
  • Consumo das famílias: -0,4%;
  • Consumo do governo: +0,4%;
  • Investimentos: +1,2%;
  • Exportações: -0,8%;
  • Importações: +1,8%;
  • PIB no 1º semestre: +1,9%;
  • PIB em valores correntes no trimestre: R$ 3,4 trilhões.