O mercado automotivo brasileiro manteve trajetória de crescimento em abril de 2026, impulsionado pelo avanço das vendas de veículos novos, pelo aquecimento do segmento de usados e pela expansão do crédito. Os dados foram divulgados pela ANEF, entidade que reúne bancos e financeiras ligados às montadoras de veículos e atua na produção de análises sobre financiamento e mercado automotivo no país.
Segundo o levantamento da associação, as vendas de veículos zero quilômetro cresceram 16,8% em abril na comparação com o mesmo período de 2025. Quando considerada a média diária de comercializações, o avanço foi de 29,7% sobre abril do ano passado e de 14,2% em relação a março deste ano. No acumulado de 2026, o setor já registra crescimento nominal de 16,3%.
A ANEF avalia que o resultado demonstra resiliência do mercado automotivo e reforça a importância do crédito para manter o ritmo de expansão. O segmento de seminovos e usados também apresentou desempenho positivo, com alta de 14,3% na média diária de transferências de propriedade em relação ao mesmo mês de 2025.
Entre os veículos mais negociados no mercado de usados aparecem modelos já consolidados entre os consumidores brasileiros, como o Volkswagen Gol, o Chevrolet Onix e a Fiat Strada. Para a entidade, a procura por esses modelos evidencia a liquidez do segmento e a manutenção da demanda por veículos de menor custo.
No cenário macroeconômico, a associação destacou a redução da taxa Selic para 14,50% ao ano como um fator que pode favorecer o mercado nos próximos meses. De acordo com a ANEF, mesmo com cautela diante do cenário internacional, a diminuição dos juros tende a reduzir o custo do financiamento e estimular decisões de consumo das famílias.
Outro ponto observado pela entidade é o impacto esperado do programa “Desenrola 2.0”. A iniciativa prevê a utilização de recursos do FGTS na renegociação de dívidas, permitindo que consumidores regularizem pendências financeiras e recuperem capacidade de acesso ao crédito.
O boletim também traz avaliação sobre o segmento de veículos pesados. Segundo a ANEF, os efeitos do Programa Mover já começam a ser percebidos na indústria. A política reúne incentivos para pesquisa e desenvolvimento em biocombustíveis e medidas de estímulo ao financiamento de veículos com menor emissão de poluentes.
Para a entidade, a combinação dessas ações contribui para a renovação da frota nacional e para o fortalecimento da produção industrial voltada à descarbonização do transporte.
O presidente da ANEF, Enilson Sales, afirmou que a associação acompanha os impactos da instabilidade geopolítica internacional sobre o setor automotivo. Segundo ele, o cenário envolvendo Estados Unidos e Irã pode afetar os preços do petróleo e gerar reflexos nas cadeias produtivas globais.
A associação informou ainda que seguirá monitorando fatores econômicos internos e externos para avaliar os impactos sobre o crédito e o desempenho do mercado automotivo brasileiro.