O Banco Central informou nesta terça-feira (12) que ainda há R$ 10,57 bilhões em recursos esquecidos por clientes em instituições financeiras do país. Os dados computados valores contabilizados até março de 2026.
Segundo o balanço divulgado pela autoridade monetária, R$ 8,13 bilhões pertencem a 45,3 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 2,43 bilhões estão relacionados a 5,04 milhões de empresas.
Desde a criação do Sistema Valores a Receber (SVR), o Banco Central já devolveu R$ 14,55 bilhões aos titulares dos recursos esquecidos em bancos, consórcios e outras instituições financeiras.
O sistema permite consultas para pessoas físicas, inclusive falecidas, e também para empresas que possam ter saldo disponível para resgate.
Governo destinará parte dos recursos ao Desenrola 2.0
O governo federal anunciou neste mês que utilizará entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões de recursos não resgatados para fortalecer o Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo que dará suporte ao programa Desenrola 2.0, voltado para renegociação de dívidas.
De acordo com o Ministério da Fazenda, os valores serão usados ??como garantia para operações de crédito realizadas pelo sistema financeiro. Em caso de inadimplência, parte do fundo poderá cobrir prejuízos das instituições participantes.
O governo informou ainda que 10% dos valores transferidos serão reservados para atender possíveis pedidos de resgate feitos posteriormente pelos correntistas.
Uma portaria publicada no último dia 5 determinou que as instituições financeiras realizassem a transferência dos recursos ao FGO em até cinco dias úteis, prazo encerrado nesta terça-feira (12).
Após a transferência, o Ministério da Fazenda deverá publicar um edital de chamamento público no Diário Oficial da União. O documento abrirá um prazo de 30 dias para que os clientes contestem o destino dos valores ao fundo do Desenrola 2.0, mediante apresentação de documentação comprobatória.
Como consultar valores esquecidos
A consulta aos recursos disponíveis pode ser feita exclusivamente pelo sistema oficial do Banco Central, no portal Valores a Receber.
Para solicitar uma devolução via sistema, é necessário informar uma chave Pix. Quem não possui chave cadastrada deverá entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar outra forma de recebimento ou cadastrar uma chave Pix e devolver ao sistema.
No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta e solicitação podem ser feitas por herdeiros, inventariantes, testamentários ou representantes legais, mediante preenchimento de termo de responsabilidade.
Pedido automático de resgate
Desde maio do ano passado, o Banco Central permite ativar o pedido automático de resgate de valores. A funcionalidade é opcional e destinada exclusivamente a pessoas físicas que possuam chave Pix vinculada ao CPF.
Para ativar o serviço, o cidadão deve acessar o SVR com conta gov.br de nível prata ou ouro e manter a verificação em duas etapas habilitadas.
Segundo o BC, o objetivo da medida é facilitar o acesso aos recursos, dispensando consultas frequentes e manuais para cada valor identificado.
O crédito é realizado diretamente pela instituição financeira na conta do titular, sem necessidade de aviso prévio do Banco Central.
Segurança e alerta contra golpes
O Banco Central reforçou as medidas de segurança do sistema em fevereiro deste ano. O acesso continua sendo realizado por meio da conta gov.br, mas passou pela exigência de autenticação em duas etapas.
Usuários que ainda não possuem o aplicativo gov.br instalado no celular precisam baixar a plataforma, realizar a validação facial e habilitar a autenticação adicional.
A autoridade monetária alerta que não realiza contatos por telefone, mensagens ou aplicativos solicitando dados pessoais para liberar valores esquecidos. O BC recomenda atenção redobrada para evitar golpes envolvendo falsas promessas de resgate.