A caderneta de poupança registrou retirada líquida de R$ 41,7 bilhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. No período, os saques feitos pelos investidores superaram os depósitos realizados nas contas da aplicação.
O resultado mantém a sequência de perdas observada nos últimos anos. Apenas em março, último dado consolidado disponível, a retirada líquida somou R$ 11,1 bilhões. No mês, os depósitos chegaram a R$ 331,9 bilhões, enquanto os saques totalizaram R$ 343 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança ficaram em R$ 6,4 bilhões.
Os dados foram divulgados em meio ao aumento do endividamento das famílias brasileiras. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que 80,9% das famílias estavam endividadas em abril deste ano, maior percentual da série histórica iniciada pela entidade. A pesquisa considera dívidas como cartão de crédito, cheque especial, financiamento de veículos, crédito consignado e carnês.
A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 14,75% ao ano. Pela regra em vigor, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando os juros permanecem acima de 8,5% ao ano.
O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), modalidade ligada ao financiamento imobiliário, concentrou a maior parte das retiradas registradas neste ano. Entre janeiro e abril, o segmento acumulou saída líquida de R$ 39,6 bilhões. Já a poupança rural apresentou retirada líquida de R$ 2,1 bilhões no mesmo período.
Em março, o SBPE registrou depósitos de R$ 287,7 bilhões e saques de R$ 298,5 bilhões, gerando retirada líquida de R$ 10,8 bilhões. Na poupança rural, os depósitos somaram R$ 44,2 bilhões e os saques ficaram em R$ 44,5 bilhões, com saldo negativo de R$ 327 milhões.
Apesar das retiradas, o estoque total da caderneta segue próximo de R$ 1 trilhão. Os dados históricos do Banco Central mostram que a aplicação acumula perdas desde 2021. Naquele ano, a retirada líquida foi de R$ 35,5 bilhões. Em 2022, o saldo negativo chegou a R$ 103,2 bilhões. Em 2023, os saques superaram os depósitos em R$ 87,8 bilhões. Em 2024, a retirada líquida ficou em R$ 15,5 bilhões. Já em 2025, o saldo negativo voltou a crescer e atingiu R$ 85,6 bilhões.
Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, a poupança registrou entrada líquida recorde de R$ 166,3 bilhões, maior captação anual da série histórica do Banco Central.
A próxima divulgação dos dados da poupança está prevista para o início de junho, com os números referentes ao mês de maio.