Correio da Manhã
Inadimplência atinge 29,7% das famílias brasileiras em abril

Inadimplência atinge 29,7% das famílias brasileiras em abril, aponta CNC

Cartão de crédito segue como principal modalidade de dívida, enquanto endividamento total alcança recorde de 80,9%

Inadimplência atinge 29,7% das famílias brasileiras em abril, aponta CNC
Cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre os brasileiros Crédito: Internet

O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a subir e atingiu o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em abril, 80,9% das famílias relataram possuir algum tipo de dívida, acima dos 80,4% registrados em março e dos 77,6% observados no mesmo mês de 2025.

O levantamento mostra que quatro em cada cinco famílias possuem contas parceladas, financiamentos, empréstimos ou compras no cartão de crédito. O índice vem renovando recordes ao longo de 2026. Em janeiro, a taxa havia atingido 79,5%; em fevereiro, 80,2%; em março, 80,4%; até chegar aos 80,9% em abril.

Apesar da alta do endividamento, a inadimplência apresentou avanço menor. O percentual de famílias com contas em atraso ficou em 29,7% em abril, ante 29,6% em março e 29,1% em abril de 2025. Já a parcela das famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas permaneceu em 12,3%.

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre os brasileiros, seguido pelos carnês de loja e pelo crédito pessoal. Entre as famílias inadimplentes, 49,5% afirmaram estar com débitos atrasados há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso permaneceu em 65,1 dias pelo terceiro mês consecutivo.

A pesquisa também mostra diferenças entre as faixas de renda. Entre as famílias com rendimento de até três salários mínimos, o índice de endividamento alcançou 83,6%, enquanto 38,2% relataram contas em atraso.

No grupo com renda entre três e cinco salários mínimos, 82,8% das famílias estão endividadas. Entre aquelas com renda de cinco a dez salários mínimos, o percentual chegou a 80,1%. Já nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice ficou em 70,8%.

Os dados da CNC apontam que o avanço do endividamento ocorre em meio ao aumento do custo do crédito e ao maior comprometimento da renda das famílias. Ao mesmo tempo, programas de renegociação seguem em expansão. O governo federal lançou neste mês a segunda etapa do Novo Desenrola Brasil, com descontos para renegociação de dívidas e possibilidade de parcelamento com juros reduzidos.

A Peic é divulgada mensalmente pela CNC e acompanha indicadores relacionados ao acesso ao crédito, inadimplência e capacidade de pagamento das famílias brasileiras.