Um furacão chamado Carmem
A Cia de Cantores Líricos de Brasília entra em circulação nacional com a eterna ópera Carmen, do francês Georges Bizet
Reynaldo Rodrigues
Especial para o Correio da Manhã
A Cia de Cantores Líricos de Brasília leva a ópera Carmen, do compositor francês Georges Bizet, a João Pessoa (PB) e São Luís (MA), em novembro. As apresentações serão realizadas nos dias 7 e 8, no Teatro Roza, na capital paraibana, e em 25 e 26, no Teatro Arthur Azevedo, na capital maranhense. As sessões começam às 19h, com entrada gratuita e classificação indicativa de 12 anos. A circulação é realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.
Com direção cênica de James Fensterseifer, responsável também pela iluminação e pelos cenários, a montagem passou por Fortaleza (CE), nos dias 16 e 17 de outubro. A proposta da companhia é aproximar o público do gênero operístico sem abrir mão de suas características musicais e dramáticas. As apresentações são cantadas na língua original, com legendas, e contam com a participação de solistas, coro e orquestra das cidades visitadas.
Fundada em 2008, a Cia de Cantores Líricos de Brasília tem como integrantes fixos Renata Dourado, Érika Kallina, Gustavo Rocha e Rafael Luiz Ribeiro. A montagem de Carmen tem Érika Kallina no papel principal, Rafael Ribeiro como Don José, Renata Dourado como Micaela e Gustavo Rocha como Escamillo. A regência fica a cargo de maestros locais: Leandro Serafim, em Fortaleza; Wendell Kettle, em João Pessoa; e Daniel Cavalcante, em São Luís.
Desafia convenções
Ambientada em Sevilha, na Espanha, no século 19, a ópera acompanha Carmen, uma trabalhadora de uma fábrica de cigarros que é presa pelo militar Don José. Para conseguir a liberdade, ela o seduz e promete corresponder ao seu amor. O envolvimento muda o destino do soldado, que acaba preso. A trama também apresenta Escamillo, um toureador que se apaixona pela protagonista, e Micaela, conterrânea de Don José que chega à cidade com uma notícia inesperada. Composta por Georges Bizet e estreada em 1875, Carmen rompeu convenções da ópera de sua época ao apresentar personagens e conflitos mais próximos da realidade, além de incorporar ritmos e sonoridades associados à cultura espanhola.
Para a soprano Renata Dourado, fundadora da companhia, a obra mantém sua relevância ao provocar reflexões sobre a liberdade das mulheres. A circulação também permite que a produção brasiliense dialogue com públicos de diferentes regiões, com a participação de profissionais locais na composição musical.