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Plínio Marcos em cena

'Gosto Amargo na Pele', livre adaptação da vida e obra do dramaturgo assinada por Ribamar Ribeiro, encerra a Trilogia dos Indesejáveis d'Os Ciclomáticos

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OTeatro Firjan Sesi Centrp recebe até domingo (4) "Gosto Amargo na Pele", livre adaptação da vida e obra de Plínio Marcos, com dramaturgia e direção de Ribamar Ribeiro. O espetáculo é uma produção d'Os Ciclomáticos Companhia de Teatro e começou a ocupar a temporada em 24 de setembro.

A peça encerra a Trilogia dos Indesejáveis, conjunto de trabalhos iniciado a partir dos universos de Nelson Rodrigues e Jean Genet e que reafirma o compromisso do grupo, formado em Bonsucesso, com um teatro popular, periférico e político.

Em cena, o mundo do "dramaturgo maldito" paulista ganha forma em um cabaré-circo-teatro-prostíbulo, onde fé, violência, humor e brasilidade se entrelaçam. "Entre fé e profanação, violência e humor, desejo e sobrevivência, personagens e memórias atravessam a cena revelando um Brasil marcado pela desigualdade, exclusão e resistência", descreve Ribamar Ribeiro.

Nascido em Santos, Plínio Marcos (1935-1999) conheceu de perto os mundos que levaria ao palco. Foi o palhaço Frajola em circos da cidade, fez trabalhos esporádicos como palhaço no rádio e na televisão e, depois de se mudar para São Paulo, sustentou-se também como camelô; em suas lembranças, conta que frequentava o Bar Redondo, ponto de encontro da gente de teatro.

A proximidade com as ruas e a boemia não foi apenas cenário de sua vida: ajudou a alimentar sua escuta das vozes deixadas à margem. Durante a ditadura, a perseguição ultrapassou a censura aos textos: foi preso em 1968 pelo II Exército e novamente em 1969, em Santos, ao resistir à interdição de uma apresentação de "Dois Perdidos Numa Noite Suja".

A violência dentro de uma cela inspirou "Barrela", sua primeira peça. Em obras como "Dois Perdidos Numa Noite Suja", "Navalha na Carne", "O Abajur Lilás" e "Quando as Máquinas Param", sua linguagem direta e suas personagens socialmente excluídas confrontaram tanto a desigualdade quanto a censura; as duas primeiras chegaram a ser interditadas em todo o país. É nessa atenção a quem raramente ocupava o centro da cena que reside sua força para o teatro político e brasileiro.

Originários de Bonsucesso, Os Ciclomáticos acumulam mais de 300 prêmios, apresentações em 250 cidades brasileiras e passagens por países como Alemanha, China, França, Espanha, Peru e Portugal. O "Gosto Amargo na Pele" é o mais recente capítulo de uma trajetória de três décadas de atividade ininterrupta.

Ator, diretor, dramaturgo e professor, Ribamar é fundador d'Os Ciclomáticos e responsável pela dramaturgia do grupo. Doutor em Artes pela UERJ, escreveu e dirigiu mais de 70 espetáculos e representou o Brasil em diversos países. "Manter uma companhia ativa por três décadas no Brasil é um ato de resistência, e a circulação internacional legitima a força da arte produzida na periferia carioca", afirma.

SERVIÇO

GOSTO AMARGO NA PELE

Teatro Firjan Sesi Centro (Av. Graça Aranha, 1, Centro)

Até 4/10, sexta (19h), sábado e domingo (17h)

Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)