Escolhas que definem uma vida

Nany People leva sua comédia 'Segunda Chance' ao Riachuelo Rio em apresentação única nesta quarta

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Nany People usa a comédia para propor uma reflexão sobre as escolhas que temos na vida em 'Segunda Chance'

O Teatro Riachuelo Rio recebe nesta quarta (8) a apresentação de "Segunda Chance", comédia estrelada por Nany People que marca a estreia do espetáculo no circuito carioca. A peça, que já passou por São Paulo e segue para outras cidades, traz a atriz em um monólogo que mistura humor e reflexão sobre as escolhas que definem uma vida.

Mineira de Machado, Nany People começou no teatro aos 10 anos e construiu uma carreira marcada pela resistência. Seu primeiro trabalho destaque veio aos 53 anos, em "Vai que Cola", série que a consolidou na televisão e a tornou conhecida do grande público. Sem contrato na TV após o fim da série, ela aposta no teatro como espaço de liberdade criativa.

Em entrevista recente, Nany criticou a falta de oportunidades para artistas trans na indústria audiovisual brasileira. "O mundo encaretou. E emburreceu", afirmou, lamentando que a cena LGBTQIA tenha se tornado mais conservadora. Apesar disso, ela reafirma: "Eu nunca saí do meu propósito".

Em "Segunda Chance", Nany interpreta Yvone, uma mulher que acredita ser a solução para todos os problemas alheios. A trama se desenrola quando essa certeza desaba e ela descobre que quem precisa de direção é ela mesma. A partir daí, enfrenta situações que desafiam seu senso de controle, sua lógica e sua compulsão por "resolver" tudo. "Quando você olha para trás, começa a entender que a vida não é linear, ela dá voltas, te surpreende, te derruba e te oferece recomeços que você nem sabia que precisava", comenta a atriz. "A gente passa a vida inteira achando que sabe o que quer, mas será que é assim mesmo?", questiona ela.

O texto de Bruno Motta trabalha com situações cotidianas que ganham dimensão cômica quando vistas sob a perspectiva de alguém que precisa aprender a ceder, ouvir e repensar suas convicções. A narrativa leva a personagem gradualmente a um ponto de ruptura, quando descobre a força a encarar quem ela realmente é.

"O público ri com Yvone a peça inteira, mas, em algum momento, acaba rindo de si mesmo ao reconhecer situações da própria vida no texto. É essa provocação que quero deixar", explica a atriz que, no ano passado, completou 60 anos de idade, 50 de carreira e 30 anos de televisão.

O humor continua sendo a ferramenta de Nany para lidar com a vida — e com as perdas que ela nos traz. A comédia aborda temas como morte, despedidas e a importância de aproveitar o tempo enquanto ele existe. O texto trabalha com situações cotidianas que ganham dimensão cômica quando vistas sob a perspectiva de alguém que precisa aprender a ceder, ouvir e repensar suas convicções. "É um humor muito analítico, que observa bem o dia a dia de uma pessoa sempre preocupada em fazer as coisas acontecerem. Até que tudo para. Quando isso acontece, você percebe que está à mercê da situação. A vida é sempre assim. Estamos, de alguma forma, à mercê de alguma coisa", destaca.

Em Segunda Chances" a atriz reafirma seu seu humor afiado, mas não abre mão de levar profundidade às questões que levanta sobre vulnerabilidade e mudança pessoal.

SERVIÇO

SEGUNDA CHANCE

Teatro Riachuelo Rio (Rua do Passeio, 38/40, Centro)

8/7, às 20h

Ingressos: entre R$ 50 (balcão) e R$ 140 (pleteia VIP)