Nas graças de Deus... e do teatro
Um dos maiores sucessos de Fernando Meirelles, 'Dois Papas' encerra no Rio a temporada de sua matriz teatral em montagem com Zécarlos Machado e Celso Frateschi
Rodrigo Fonseca
Especial para o Correio da Manhã
Domingo é a última chance de conferir "Dois Papas", um sucesso teatral que, na gênese de sua reputação (das melhores), contou com a colaboração do cineasta Fernando Meirelles e foi ao Oscar. Prestes a lançar (na Prime Video) "Corrida dos Bichos", thriller que dirigiu com Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento e exibiu pela primeira vez em março, no SXSW, em Austin (EUA), o diretor de "Cidade de Deus" (2002) vai ter um ano de consagrações diversas.
Sua fama há de se ampliar sobretudo se a Netflix mantiver os planos de lançar "Here Comes The Floor" no segundo semestre. Será uma estreia de olho nas estatuetas de Hollywood, sem dúvida. Nesse thriller de assalto, o diretor de "Cidade de Deus" (2002) contou com dois titãs das bilheterias: Denzel Washington e Robert Pattinson. Daisy Edgard-Jones, outro ímã de plateias, estará com eles em cena.
Mas antes de esse par de novos exercícios cinematográficos chegarem às nossas telonas, um dos maiores acertos do diretor paulista voltará à ribalta, não apenas no www.netflix.com, onde encontrou lar há uns sete anos, mas também nos palcos.
A encenação de "Dois Papas" (2019) ganha holofotes cariocas, no Teatro TotalEnergies (antigo Teatro Adolpho Bloch), depois de uma consagradora passagem pelo Festival de Curitiba.
A direção da montagem nacional é de Munir Kanaan, com base na dramaturgia de Anthony McCarten (sob tradução de Rui Xavier), que concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pela produção rodada por Meirelles. O longa tem como gênese a peça "The Pope", que ele lançou no Royal & Derngate Theatre, em 2019.
A trama parte das divergências do Papa Bento XVI, mais conhecido como Joseph Aloisius Ratzinger (1927-2022), com o cardeal argentino Jorge Bergoglio (1936-2025), o futuro Papa Francisco, que planeja pedir aposentadoria, em meio a um potencial processo de sucessão na cúpula do Vaticano.
A mudança no comando daquele governo se anuncia quando Ratzinger avalia renunciar ao papado, em meio a pressões crescentes, tornando Bergoglio um sucessor provável. Em um encontro reservado, visões de mundo se chocam, segredos vêm à tona e ambos precisam atravessar suas diferenças para tomar decisões que podem transformar o futuro da Igreja e de suas próprias vidas. Na peça, Celso Frateschi vive Bergoglio e Zécarlos Machado interpreta o Papa Bento XVI. O elenco inclui ainda Carol Godoy (Irmã Sofia), Eliana Guttman (Irmã Brigitta) e participação em vídeo de Rafa Steinhauser.
No cinema, "Dois Papas" passou pelos festivais de Telluride e Toronto, antes de passar pelo encerramento da 43ª edição da Mostra de SP. Anthony Hopkins encarna o Papa Bento XVI e Jonathan Pryce representa o Papa Francisco. Ambos concorreram ao Oscar pelo filme, que se instalou de cara na Netflix, onde ainda pode ser visto.
Na montagem de "Dois Papas" do Rio, a trilha sonora é de Dan Maia, que embala um cenário de Eric Lenate e o figurino de Carol Roz. A iluminação é de Beto Bruel.
SERVIÇO
DOIS PAPAS
Teatro TotalEnergies (Rua do Russel, 804 - Glória)
Até 5/7, sexta e sábado (20h) e domingo (17h)
Ingressos: R$ 150 e R$ 75 (meia)