Paternidade e transformação

'Manso', de Felipe Haiut explora a descontrução de modelos herdados de masculinidade

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Felipe Haiut volta aos palcos cariocas com um novo solo. "Manso" se debruça sobre a paternidade como experiência transformadora. Dirigido por André Paes Leme, o espetáculo marca o retorno do ator e dramaturgo após o êxito de "Selvagem", que lotou salas no Rio, São Paulo, Berlim e Lisboa. Desta vez, Haiut se concentra nos atravessamentos da masculinidade na relação entre pai e filho, continuando a investigação iniciada na peça anterior sobre identidade e pertencimento.

Assinada pelo próprio Haiut, a dramaturgia apresenta um homem diante do filho recém-nascido e da possibilidade concreta de perdê-lo. Segundo o ator e autor, o texto se desenvolve como num fluxo de pensamento atravessado por memórias, silêncios e projeções. O espetáculo explora a desconstrução de modelos herdados de masculinidade e a ausência de novas referências possíveis, com foco particular na figura paterna. "Eu me pergunto quando nasce um pai e o que faz de alguém pai", questiona Haiut na dramaturgia.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, mais de 5,5 milhões de pessoas no Brasil cresceram sem o reconhecimento paterno. Diante dessa realidade, a peça desloca o debate da ausência — historicamente associada à masculinidade — para a potência da presença. "Num país em que é muito comum ouvir sobre a ausência paterna, escrevi uma dramaturgia para responder a essa questão com a presença. Um homem que está diante da iminência de não se tornar pai — e cujo maior desejo é fazer de tudo para poder ser", explica o autor e intérprete.

Em cena, "Manso" materializa as contradições de um homem que, simultaneamente, tenta sustentar uma ideia de força enquanto se vê cara a cara com a própria fragilidade. O movimento é de dentro para fora: o espetáculo constrói uma experiência sensível sobre os desafios emocionais da paternidade contemporânea, propondo um espaço de escuta e reflexão. Sem pretensão de oferecer respostas definitivas, a peça se estabelece como um território de reinvenção, investigando o que se mantém e o que se transforma nos laços entre pais e filhos.

SERVIÇO

MANSO

Sesc Tijuca (Rua Barão de Mesquita, 539)

Até 14/6, quinta a sábado (19h) e domingos (18h)

Ingressos: R$ 20, R$ 10 (meia), R$ 18 (convênios), R$ 14 (sócio Sesc) e grátis (PCG)