O peso do esquecimento

Com Fulvio Stefanini em forma primorosa, "O Pai" chega ao Rio para temporada que celebra 70 anos de carreira do veterano ator

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Fulvio Strefanini vive André, um idoso rabugento em estado acelerado de Alzheimer

Aos 86 anos e com 70 de palco, Fulvio Stefanini encontrou em André — um idoso rabugento, divertido e progressivamente devorado pelo Alzheimer — um de seus papéis mais celebrados. "O Pai", em cartaz no Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch, acumula cerca de 300 apresentações, 150 mil espectadores e os prêmios Shell e Bibi Ferreira de Melhor Ator, ambos conquistados em 2016.

O texto é do dramaturgo francês Florian Zeller e já foi encenado em mais de 30 países. A peça ganhou projeção ainda maior com sua adaptação cinematográfica — dirigida pelo próprio autor e protagonizada por Anthony Hopkins, vencedora dos Oscars de Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado —, o que reforçou a atualidade da obra. No palco, a história acompanha André e sua filha diante de um dilema doloroso e reconhecível: cuidar do pai ou seguir a própria vida ao lado de um novo amor. A trama avança entre momentos de humor e emoção, retratando com delicadeza uma realidade presente em muitas famílias. Completam o elenco Lara Cordula, Fulvio Stefanini Filho, Deo Patricio, Carol Mariottini e Leo Stefanini.

Iniciada em 1955 na extinta TV Tupi, a trajetória de Fulvio Stefanini reúne décadas de trabalho no teatro, cinema e televisão. Na TV Globo, participou de produções como "Gabriela", "Pátria Minha" e "Chocolate com Pimenta"; no cinema, esteve em "Quincas Borba" e "O Bem Dotado". Em "O Pai", o veterano ator comprova a inutilidade dos preconceitos relacionados à idade com uma atuação sublime.

SERVIÇO

O PAI

Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch (Rua do Russel, 804 - Glória)

Até 22/3, às sextas e sábados (20h) e domingos (17h)

Ingressos: Plateia Central - R$ 150 e R$ 75 (meia) | plateia lateral - R$ 50 e R$ 25 (meia)