No day after de um fracasso
Texto inédito (e póstumo) de Luiz Carlos Góes ganha palco sob direção de Amir Haddad e com Vannessa Gerbelli em cena solo
Texto inédito (e póstumo) de Luiz Carlos Góes ganha palco sob direção de Amir Haddad e com Vannessa Gerbelli em cena solo
Ela não tem nome. Não tem recursos. Mas tem um palco — e não pretende sair dele. Nem à força. A protagonista sem nome de 'Sombras no Final da Escadaria' estreou na véspera com um fracasso retumbante, e agora está de volta, no segundo dia, diante de uma plateia que não sabe bem o que esperar. Nem ela mesma sabe. É desse clima de incerteza que o mónologo parte numa jornada sem paredeiro certo.
O texto é inédito e póstumo. Trata-se último trabalho do escritor e dramaturgo carioca Luiz Carlos Góes (1944-2014), síntese de uma obra que operava sempre assim, com leveza enganosa na superfície e crueldade afiada nas camadas de baixo. O que parece nonsense vai se tornando confessional. O que começa como embromação descabida se revela direto, dolorido, rascante. Abuso, misoginia, invisibilidade — tudo está ali, não gritado, mas presente como uma sombra que cresce ao longo da escadaria.
Dirigido por Amir Haddad, o espetáculo tem na atuação de Vannessa Gerbelli sua força motriz. Premiada pelo APTR, pelo Melhores do Ano da TV Globo e pelo Bibi Ferreira, a atriz sustenta sozinha o peso de uma comédia que faz pensar. Sua personagem é uma atriz independente, com um projeto independente, num país que trata a cultura como dispensável. A pergunta que atravessa toda a peça não é retórica: como prosseguir após um fracasso?
SERVIÇO
SOMBRAS NO FINAL DA ESCADA
Teatro Domingos Oliveira (Planetário da Gávea - Av. Padre Leonel Franca, 240)
Até 29/3, sextas e sábados (20h) e domingos (19h)
Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia)
