Didi no picadeiro

Musical sobre a trajetória de Renato Aragão reúne equipe de peso, estreia no Teatro Sesc Ginástico e traz o próprio homenageado ao palco aos 91 anos

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Épotente a simbologia de ver Renato Aragão subir num palco aos 91 anos para assistir — e participar — de um espetáculo que conta sua própria vida. O ceará de Sobral que virou Didi, que virou Os Trapalhões, que virou fenômeno de gerações inteiras de brasileiros está de volta ao teatro, desta vez como personagem central de "Adorável Trapalhão — O Musical", que estreia no Teatro Sesc Ginástico nesta quarta-feira (25).

A montagem é o segundo trabalho teatral na carreira do homenageado. Aos 91 anos, Renato Aragão faz uma participação especial no espetáculo — presença que, por si só, já justificaria a ida ao teatro. Mas o musical vai além da homenagem afetiva. Com encenação e direção de arte de José Possi Neto, texto de Marilia Toledo, músicas e letras de Marco França e Fernando Suassuna, direção musical de Diego Salles e coreografia de Alonso Barros, a peça constrói uma narrativa que percorre décadas de história da cultura popular brasileira, da infância no Ceará às conquistas no cinema e na televisão, passando pela formação do quarteto mais amado do humor nacional.

O papel de Didi coube a Rafael Aragão, jovem ator que foi também o idealizador da montagem e o responsável por trazer José Possi Neto ao projeto. "Rafael me seduziu trazendo muitas informações e material de vídeos da obra do Renato autor, roteirista e produtor de 'Os Trapalhões'. Tomado por uma grande emoção, aceitei a proposta", relembra o diretor.

A decisão de aceitar o convite desencadeou um processo criativo marcado por pesquisa intensa e referências inusitadas. "Sempre brifo toda a equipe criativa não só com minhas ideias, mas também forneço referências — e isso engloba a cenografia, o figurino, a iluminação, a coreografia e os arranjos musicais. Trocamos sobre filmes, textos históricos sobre circo, documentários sobre palhaços, grandes obras das artes plásticas exibindo cenas circenses. Nos influenciaram ainda nomes como Marc Chagall, Federico Fellini, Oscarito e Grande Otelo, Totó e o genial Charles Chaplin", pontua Possi Neto.

Completando o famoso quarteto em cena estão Thadeu Torres como Dedé, Rupa Figueira como Mussum e Vicenthe Delgado como Zacarias. A escolha por reconstituir Os Trapalhões no palco não é nostalgia gratuita — é uma afirmação sobre o que aquele grupo representou como fenômeno cultural. A dramaturgia de Marilia Toledo entende bem essa dimensão. "Mais do que uma biografia, o musical propõe um olhar afetivo sobre o Brasil e sobre o poder do humor como ferramenta de transformação social, memória coletiva e identidade cultural", antecipa a autora.

A encenação de Possi Neto situa o espetáculo num grande picadeiro afetivo, onde a estética circense e a atmosfera lúdica funcionam como homenagem não apenas a Renato Aragão, mas a toda uma tradição de artistas populares brasileiros — dos mambembes às grandes estrelas. A comicidade física, as músicas originais e o visual marcante criam uma experiência que transita com naturalidade entre o riso e a emoção, acessível a públicos de todas as idades. Segundo Possi Neto, o próprio Renato Aragão se emocionou desde o primeiro ensaio corrido. "O público fiel aos Trapalhões na TV vai matar as saudades e conhecer detalhes da história desse fenômeno de sucesso que jamais poderia imaginar. Além de se encantar e emocionar muito. Mas, acima de tudo, vai rir!", promete o encenador.

"É sempre muito excitante estrear no Rio. O carioca é um público apaixonado por teatro e reage sempre com muita autenticidade crítica e entusiasmo", considera o diretor.

SERVIÇO

ADORÁVEL TRAPALHÃO - O MUSICAL

Teatro Sesc Ginástico (Rua Araújo Porto Alegre, 70, Centro)

De 25/1 a 19/4

Ingressos: R$ 60, R$ 30 (meia), R$ 15 (associado Sesc) e grátis (PCG)