Em sânscrito, Sagrama é uma escala de dó. O grupo pernambucano que adotou o nome passou três décadas afinando uma escala própria, feita de frevo, maracatu, caboclinho e baião. Nesta sexta-feira (23), às 19h, o SaGRAMA celebra os 30 anos no Espaço Cultural BNDES, com o show "SaGRAMA 30 anos - Tributo às Raízes Nordestinas", percurso de 16 peças do cancioneiro de Capiba, Luiz Gonzaga, Dimas Sedícias e composições próprias.
Criado em 1995 numa disciplina do Conservatório Pernambucano de Música, o grupo começou tocando música de câmara erudita brasileira — Villa-Lobos e Radamés Gnattali — e só depois desceu às matrizes populares. "Eu ia para os frevos-de-bloco, maracatus, caboclinhos. Chegamos à conclusão de fazer uma música mais popular, sair do rótulo de música de câmara", recorda o flautista e arranjador Sérgio Campelo, fundador ao lado de Cláudio Moura e Antônio Barreto, professores que ensaiam às terças e quintas, com sala aberta aos alunos.
Boa parte do cancioneiro veio do compositor Dimas Sedícias (1930-2001). "Ele disse que tínhamos uma sonoridade diferente, exótica (...) e começou a nos trazer composições escritas especialmente para nossa formação", lembra Campelo. O primeiro disco, de 1998, vendeu 16 mil cópias e deixou o grupo finalista do Prêmio Sharp; desse acervo saiu a trilha de "O Auto da Compadecida" (2000) — mais de 30 vinhetas compostas a pedido do roteirista João Falcão. A faixa "Presepada" reapareceria em "O Auto da Compadecida 2" (2024).
O programa equilibra esses dois lados. De Campelo e Moura vêm "Guerreiro do Além Mar", "Mingau de Cachorro", "Batata Doce", "Mutalambô" e "Palhaço Embriagado"; de Sedícias, "Papagaio de Papel", "Riacho Encantado", "Mária, Maria, Mariá", "Caboclos de Orubá" e "Rói-Couro"; de fora, "Eh! Luanda", de Capiba, "Choro Miúdo", de Bozó, e "Mundo do Lua", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Na percussão, Antonio Barreto, Dannielly Yohanna, Isaac Souza e Tarcísio Resende; completam Aristide Rosa (violão), Moura na viola sertaneja, Crisóstomo Santos (clarinete), Ingrid Guerra (flauta) e João Pimenta (contrabaixo).
A discografia soma dez álbuns. Com Elba Ramalho no DVD "Cordas, Gonzaga e Afins", vieram o Prêmio da Música Brasileira 2016 e a indicação ao Grammy Latino. "Não conheço nenhum grupo de música instrumental que se sustentou por tanto tempo", avalia Campelo. "Se a gente se juntasse só para fazer música e ficar esperando fechar contratos para show, o grupo talvez já tivesse acabado."
SERVIÇO
SaGRAMA 30 anos
Espaço BNDES (Av, Chile, 100)
23/10, às 19h. Grátis
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