Leila Pinheiro chega ao Espaço Cultural BNDES nesta quinta-feira (8), às 19h, com "Viva Meu Samba", espetáculo em que a cantora e pianista desloca o samba de participação recorrente em seu repertório para o centro da cena. Não se trata de visita aleatória aos clássicos do gênero, mas de uma pesquisa que aprfundada, reunindo canções de Dona Ivone Lara a Arlindo Cruz, de João Nogueira a Xande de Pilares, e que também abre espaço para canções que ela admite estar cantando pela primeira vez.
O ponto de partida do show é a celebração dos 45 anos de carreira da artista, mas a ideia não é fazer uma retrospectiva convencional. Leila já havia gravado e apresentado o projeto "Eu Canto Samba", em 2013; agora, retomou o assunto, com roteiro e direção de Marcus Fernando. "Acho natural e bem-vindo este mergulho mais profundo nos sambas", diz ela. "Me sinto mais desafiada agora neste show porque escolhi sambas pouco conhecidos por mim, alguns sendo cantados pela primeira vez", avisa.
A seleção inclui "Nação", de João Bosco e Aldir Blanc; "Tendência", de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão; "Fogo de Saudade", de Sombrinha e Adilson Victor; "Trilha do Amor", de Xande de Pilares e Rogério Bernini; além de repertório associado a Cartola, João Nogueira, Almir Guineto, Nei Lopes e Arlindo Cruz. Há ainda "Minha Mangueira", composição de Leila dedicada à Estação Primeira de Mangueira. O programa recupera também "Verde", de Eduardo Gudin e Costa Netto, canção ligada à projeção nacional da cantora no Festival dos Festivais, em 1985.
Leila e Marcus Fernando assinam a arquitetura do repertório, em vez de apenas empilhar sucessos numa lista. A própria cantora descreve o processo como uma curadoria guiada pela canção. "Essa costura foi acontecendo naturalmente e a beleza da música, sempre soberana, era quem norteava a minha escolha final".
A banda é parte decisiva dessa leitura. Hudson Santos, no violão de sete cordas, Diego Zangado, na bateria, Leandro Pereira, no cavaquinho, Júlio Florindo, no contrabaixo, e Luiz Augusto, na percussão, formam a base que leva ao palco diferentes pulsações do gênero. A direção musical é da própria Leila, que alterna voz e teclados e reserva momentos em que fica sozinha ao piano. Sobre esses trechos mais despojados, ela afirma: "É hora de troca máxima com a plateia: eu, minha voz e o piano."
"Viva Meu Samba" aposta na energia coletiva que a cantora reconhece no gênero. "A alegria contagiante do samba é o que me interessa no show de agora", resumiu. "O ritmo contagiante, a pulsação forte, cinco músicos com vivências muito ricas dentro do samba, dividindo o palco comigo." É esse encontro entre repertório consagrado, escolhas menos previsíveis e uma banda de linguagem própria que sustenta a apresentação.
SERVIÇO
LEILA PINHEIRO - VIVA MEU SAMBA
Espaço Cultural BNDES (Av. Chile, 100 - Centro)
8/10, às 19h
Grátis, com retirada de ingressos meia hora anes da apresentação
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